A parada em Santos foi a primeira visitação pública do PHM Atlântico (Ricardo Moriah)

A parada em Santos foi a primeira visitação pública do PHM Atlântico (Ricardo Moriah)

Em escala no Porto de Santos, litoral paulista, o porta-helicópteros multipropósito (PHM) A-140 Atlântico teve sua primeira abertura à visitação pública no Brasil, ocorrida neste domingo (25), no cais da Capitânia dos Portos de São Paulo.

O imponente navio foi adquirido recentemente pela Marinha do Brasil do Reino Unido, para exercer uma função de controle marítimo nas importantes rotas de comércio do Brasil e do Atlântico Sul, sendo um incremento enorme para a capacidade operativa da força naval brasileira. Ele virtualmente substitui o desativado porta-aviões São Paulo (A-12).


Na visita ao Porto de Santos, o Atlântico chegou com alguns helicópteros a bordo, entre eles o Helibras HB-350 Esquilo (UH-12/13 na designação naval da MB) e um dos novos H225 (UH-14), que estava em exposição no convés de voo do navio.

Como é de costume em visitas de navios da Marinha ao cais santista, o anúncio prévio (especialmente pela TV) da chegada do navio atraiu uma multidão para a sede da Capitânia dos Portos na cidade, onde o Atlântico atracou na manhã de sábado (24), algo pouco usual, visto que geralmente a chegada proveniente do Rio ocorre na sexta-feira, com partida na segunda.

Sem preparação, o local rapidamente encheu-se de automóveis e pessoas, atrapalhando a logística de cargas com caminhões e trens que trabalham 24 horas no porto paulista. A entrada no navio teve como medida de segurança uma pequena revista de homens e mulheres com detectores de metal, algo que não ocorria antigamente.

Um dos novos H225 da Marinha no convés de voo do Atlântico (Ricardo Moriah)

Um dos novos H225 da Marinha no convés de voo do Atlântico (Ricardo Moriah)

Com dois acessos ao interior do Atlântico e saída pela rampa de embarque lateral, a Marinha preparou uma pequena área do grande hangar com equipamentos totalmente camuflados por uma malha branca, tendo apenas um veículo leve dos fuzileiros navais.


Um dos acessos à área restrita não estava isolado e foi possível ver três crianças subindo a escada e entrando em outro compartimento, mas rapidamente a segurança do navio retirou-as de lá. O público pôde ainda conhecer o convés de voo através de uma rampa para veículos, bem íngreme.

O Atlântico conta com quatro canhões de 30 mm para autodefesa (Ricardo Moriah)

O Atlântico conta com quatro canhões de 30 mm para autodefesa (Ricardo Moriah)

No local de pouso, decolagem e manobras dos helicópteros, foi possível conhecer de perto o canhão DSM30M Mk2 de 30 mm (existem 4 a bordo e são do mesmo tipo usado nos navios patrulha da Classe Amazonas). Por falar nisso, o PHM A-140 tem ainda 4 mini-guns (rotativos com seis canos) de 7,62 mm, semelhantes aos usados nos Sikorsky UH-60 Black Hawk do Exército Brasileiro.

O Atlântico possui mais oito pontos para metralhadoras FN MAG de 7,62 mm, mas o navio perdeu os três CIWS Vulcan-Phalanx de 20 mm (também rotativos de seis canos), que foram retirados na transferência da embarcação para o Brasil.

Os dois elevadores centrais do Atlântico estavam no convés de voo, impossibilitando observar outras partes do hangar logo abaixo. O UH-14 “7106” estava sobre um dos elevadores, que estava devidamente isolado, assim como o restante do convés de voo.

A embarcação também vem equipada com lanchas de desembarque rápido (Ricardo Moriah)

A embarcação também vem equipada com lanchas de desembarque rápido (Ricardo Moriah)

Nessa área, pode-se observar bem o radar tridimensional Artisan 3D (Tipo 997), do mesmo tipo pretendido para as futuras corvetas da Marinha. Ele atua em duas rotações (baixa para 2D e alta para 3D), buscando alvos aéreos além de 270 km. Também pode rastrear barcos próximos e mísseis.

No geral, o Atlântico se apresenta em bom estado de conservação, incluindo alguns dos equipamentos, como as 4 lanchas de transporte de tropas LCVP Mk5B e a lancha de abordagem Pacific Mk 22. O navio conta ainda com dois radares Tipo 1007 para controle da operação aérea (helicópteros) e um Tipo 1008 para busca de superfície.

Como é o Atlântico?

Em adestramento de tripulação, tanto do navio quanto do grupamento aéreo, o que inclui também exercícios com aeronaves da FAB e do Exército, o Atlântico deverá atuar na Marinha com um conceito bem empregado no Reino Unido, mesclando aeronaves das três forças armadas.

Classificado como LHD (Landing Helicopter Platform), o PHM Atlântico é um navio de assalto embarcado propriamente dito, mas com capacidade de desembarque por meio de lanchas (LCVP) e rampas, podendo levar 40 veículos.

Hangar do Atlântico: a embarcação tem espaço para receber até 18 helicópteros (Ricardo Moriah)

Sua capacidade operacional inclui ainda 18 helicópteros de diversos tipos e pode transportar um grupamento de 800 fuzileiros, além da tripulação de 340 pessoas, embora tenha capacidade para um total de 1.295 membros.

Com 203,4 metros de comprimento, 35 de largura e calado (casco abaixo da linha d´água) de 6,5 metros, o Atlântico desloca até 23.700 toneladas, quando carregado. O PHM A-140 tem dois motores Crossley Pielstyck de 12 cilindros, que garantem velocidade máxima de 18 nós com autonomia de 13.000 km.

O Atlântico era o ex-HMS Ocean, único LHD da Marinha Real e herdeiro da extinta Classe Invencible, que consistiu em três porta-aviões com rampas Sky Jump para caças V-STOL Harrier da RAF (Força Aérea Britânica) e Sea Harrier (Marinha).

Navio novinho!

O Atlântico agora é o maior navio militar em operação no Brasil e na América Latina (Marinha do Brasil)

O Atlântico agora é o maior navio militar em operação no Brasil e na América Latina (Marinha do Brasil)

O navio recém-adquirido pela Marinha por 84 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 424 milhões na cotação atual) é considerado novo no mercado militar. A embarcação foi lançada ao mar em 1995 no Reino Unido, onde parte do publico até questionou a venda do barco devido ao seu pouco tempo de uso com a poderosa Marinha Real britânica.

O PHM Atlântico, agora o maior navio militar em operação no país e também na América Latina, chega ao Brasil com boas condições de ter uma longa e próspera carreira com a Marinha, diferentemente do porta-aviões São Paulo.

O antigo navio-aeródromo fabricado da França no final da década de 1950 chegou ao Brasil no ano 2000 em condições limitadas e teve uma trajetória conturbada marcada por problemas operacionais e acidentes a bordo.

Caças AF-1 estacionados no convés de voo do NAe São Paulo (MB)

Caças AF-1 estacionados no convés de voo do NAe São Paulo, hoje desativado (Marinha do Brasil)

A Marinha ainda mantém o sonho de ter um porta-aviões, mas isso a longo prazo. As prioridades no momento são os programas das novas corvetas da classe Tamandaré e o desenvolvimento de novos submarinos. Aviões navais, no entanto, não faltam: a marinha brasileira conta atualmente com os caças navais AF-1 e em breve deve reativar uma frota de modelos de transporte KC-2 – uma versão do clássico Grumman Tracker com motores turbo-hélice.

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