Piloto tenta controlar avião pouco antes de acionar o paraquedas: por pouco um acidente fatal (BRS)

A cena é de causar enjoo mesmo para quem está sentado em frente ao computador. O piloto de uma aeronave recreativa (pequeno monomotor) de origem desconhecida tenta recuperar o controle após ela entrar no chamado “parafuso chato”, uma condição em que o avião gira no eixo vertical. Apesar do esforço, o aparelho permanece girando sem controle até que, ciente do acidente fatal iminente, ele puxa uma alavanca no painel e um paraquedas se abre salvando o piloto e o próprio avião do choque brutal com o solo (assista abaixo).

São 60 segundos de suspense que terminaram com um final feliz graças a um dispositivo cada vez mais popular na aviação de pequeno porte, o sistema de paraquedas de emergência para aeronaves, sigla em inglês: WARPS (Whole-airplane Recovery Parachute System). O vídeo em questão foi postado nesta semana pela empresa BRS Aerospace, do estado de Minesota, nos Estados Unidos, e mostra na prática que ele pode fazer a diferença numa pane grave em voo.



Os paraquedas da BRS são mais conhecidos por equiparem os aviões da Cirrus, fabricante também americano que sempre faz questão de destacar esse diferencial em relação a outros concorrentes. Mas essa presença discreta está mudando: a empresa anunciou recentemente que criará uma rede nacional de centros de instalação do equipamento para oferecê-lo a proprietários de aviões mais antigos, como os Cessna 172 e 182, que existem em grande número no país.

O preço é bastante em conta: entre US$ 15,5 mil e US$ 17,5 mil (cerca de R$ 50 mil a R$ 60 mil) para ter uma segunda chance num acidente. O funcionamento do paraquedas não difere das versões usados em pessoas, mas suas dimensões e capacidade são bem superiores, é claro. Ele pesa cerca de 35 kg, tem quase 223 metros quadrados de área e é capaz de suportar um peso de quase uma tonelada, dependendo do modelo.

Inspiração em acidente

O criador do paraquedas de aviões é Boris Popov, um americano que sobreviveu a um acidente com um planador na década de 70 por milagre. Após se recuperar, ele se questionou por que os aviões não possuíam paraquedas que pudessem ser usados nesses momentos. Em 1980, ele fundou a Ballistic Recovery System com o objetivo de oferecer um sistema de paraquedas para aeronaves ultraleves. O primeiro modelo surgiu dois anos depois e em 1983 ocorreu o primeiro caso de um piloto salvo pelo paraquedas.

Apesar de bem sucedido, o sistema só foi ganhar alguma escala em 1998 quando a BRS fechou uma parceria com a Cirrus para a criação de um equipamento mais capaz e que pudesse ser instalados em pequenos monomotores. Na década passada, o sistema foi homologado para uso em aviões da Cessna. A mais nova fronteira para o paraquedas de Popov, hoje com 71 anos, são os jatos executivos como o Cirrus Vision Jet.

A BRS faz questão de lembrar a utilidade do seu produto: no site da empresa existe um contador em estilo dos primórdios da web, mas com um número impressionante de 376 vidas salvas desde sua criação.

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