O Aeroporto de Guarulhos em 2014, pouco antes de inaugurar o Terminal 3 (GF)

Maior aeroporto do Brasil, Guarulhos deve terminar o ano com um movimento de passageiros próximo de 45 milhões, o que seria recorde em seus quase 35 anos – a serem completados em 25 de janeiro de 2020. E, a despeito do descaso da Infraero por anos a fio e de uma concessionária, a GRU Airport, que tem feito uma gestão apenas razoável, o terminal aéreo tem evoluído e isso fica bastante claro ao compararmos imagens de satélite disponibilizadas pelo Google.

O Aeroporto Governador André Franco Montoro, como é oficialmente batizado, é há muito tempo a porta de entrada do país e exibe números superlativos, mas também situações incômodas como a falta de pontes de embarque ou as longas filas em imigração, como relatam passageiros em redes sociais. Fruto de uma licitação mal conduzida, a concessão expôs vários problemas como uma outorga irreal e baixas exigências de experiência em administração de aeroportos, o que acabou abrindo espaço para que construtoras e fundos de pensão do governo vencessem o leilão.


O resultado dessa equação pode ser visto nas imagens: mesmo precisando de um novo píer para dar conta de tantos voos, Guarulhos ainda terá de esperar algum tempo até que ele se materialize. Mas é possível ver que nos próximos meses a GRU Airport entregará uma nova área de pátio (pela metade, é verdade). A reforma do atual Terminal 2 também foi feita de forma parcial assim como a existência do triste “puxadinho” batizado de Terminal 1 (que utiliza velhos galpões de carga como área de passageiros) é um imenso contraste para um aeroporto desse porte.

Conclui-se que a evolução de “Cumbica”, outro dos seus nomes, ocorreu da pior forma possível, ou seja, sob pressão da demanda e não com planejamento e tempo. A seguir, veremos como o aeroporto evolui desde outubro de 2001, imagem mais antiga presente no Google.

Com 16 anos, Guarulhos já denotava problemas de crescimento exponencial, mas a Infraero já andava preocupada em atender regiões com influência política maior

Outubro de 2001

As “gambiarras” da Infraero já davam as caras na gestão de Guarulhos. Dez anos após abrir o Terminal 2, já era claro o erro de projeto, que ignorava o movimento internacional, que deveria, na visão do governo, ser concentrado no Galeão. Para corrigir o problema, a estatal resolveu ampliar as pontas do píers para receber mais e maiores jatos. A falta de pátio também era nítida e para isso foi criada uma nova área onde hoje está o Terminal 3. Obras da segunda pista de táxi se arrastavam, além das ruínas do hangar de manutenção da Vasp já prenunciarem anos de abandono.

Julho de 2006

Cinco anos depois, a Infraero havia entregue as novas extensões dos píers, mas mal conseguiu avançar na pista de táxi secundária. Aviões de companhias quebradas já ocupavam espaço do pátio, mas a estatal tocava o projeto de ampliação do aeroporto com a barriga.

Julho de 2012

Após gastar dinheiro com um projeto faraônico para o terminal 3 e na prática apenas converter terminais de carga em um terminal provisório, a Infraero entrega a administração de Guarulhos para a GRU Airport. Era o auge da economia propulsionada pelas commodities e o sonho da Copa do Mundo. A concessionária dá sequência ao trabalho de terraplenagem feito pelo Exército brasileiro e desenha um terminal mais simples e de construção mais veloz.

Março de 2013

Um ano após o leilão que concedeu Guarulhos à iniciativa privada já era possível ver as fundações e primeiros pilares do Terminal 3 assim como um edifício-garagem para desafogar o estacionamento do aeroporto. A falta de pátio persistia, com aviões enfileirados na pista de táxi incompleta.

Janeiro de 2014

O aeroporto começa a ficar irreconhecível com o avanço das obras. Os aviões que precisavam de algum tipo de manutenção rápida ganham um espaço no final da pista que liberou a finalização da segunda pista de táxi. Em poucos meses, Guarulhos passaria a contar com um novo e moderno terminal de passageiros exclusivo para voos internacionais.

Novembro de 2014

Com 200 mil metros quadrados e capacidade para atender 12 milhões de passageiros, o Terminal 3 de Guarulhos recoloca o aeroporto nos eixos. Com a nova pista de táxi e outros melhoramentos, o aeroporto passa pelo seu melhor momento em anos.

Julho de 2017

Para reduzir o contraste entre a nova área e as antigas, a GRU Airport inicia o que deveria ser uma profunda reforma nos terminais 1 e 2 que passam a ser unificados como o novo Terminal 2. Mas na prática a mudança é mais modesta e velhos gargalos permanecem. É a época em que a outorga elevada pesa, ainda mais com o crescimento da demanda frustrado pela crise econômica. Longe da área de passageiros, o esqueleto da Vasp é demolido para dar lugar a dois complexos de manutenção da LATAM e da American Airlines. A maior novidade, no entanto, é o início do voo da Emirates com o Airbus A380, maior avião de passageiros do mundo e que exigiu mudanças na pista e pátios.

Os hangares da LATAM e da American tomam forma sobre o antigo esqueleto da Vasp

Abril de 2018

O movimento começa a melhorar e a GRU volta a pensar na ampliação da infraestrura. Três novas pontes de embarque são iniciadas, duas no Terminal 2 e uma no início do píer do Terminal 3. Os hangares da LATAM e da American ganham forma e o aeroporto passa ter um serviço por trem nas proximidades porque a concessionária não cumpriu sua parte de ligá-lo com um monotrilho.

Fevereiro de 2019

Após bater seu recorde de passageiros em 2018, Guarulhos ganha mais algumas pontes de embarque e a concessionária inicia a construção de um novo pátio onde ficará o maior píer do aeroporto. Os hangares da LATAM e American são inaugurados, mas os problemas com gargalos persistem.

O aeroporto de agosto deste ano: novo pátio toma forma à espera da construção do píer internacional

Agosto de 2019

Quase 18 anos depois, Guarulhos está irreconhecível. Em vez de mato, um novo terminal, áreas de manutenção e pátio além de uma infraestrutura mais condizente com o que se espera de um aeroporto que atende mais de 40 milhões de passageiros por ano. O novo pátio, embora pela metade, já é visível e vislumbra-se o início das obras do píer auxiliar do Terminal 3 nos próximos anos, como prometeu a concessionária. Se cumprir outra promessa, teremos o “people mover” ligando os três terminais e a estação de trem. Ainda assim é pouco perto do que afirmava a GRU Airport, que pretendia construir um centro de convenções, shopping e hotéis na parte externa do aeroporto. Até hoje esses empreendimentos não apareceram no mapa – espera-se que isso mude daqui em diante.

Artes sobre imagens do Google Earth.

Veja galeria com a evolução (clique nas imagens):