O Boeing/Saab T-7A Red Hawk: homenagem aos primeiros pilotos militares negros dos EUA (USAF)

A Força Aérea dos EUA (USAF) decidiu batizar o jato de treinamento avançado T-X como T-7A Red Hawk, anunciou Matthew Donovan, seu secretário interino nesta segunda-feira, 16.

O jato supersônico de treinamento será produzido pela Boeing em parceria com a sueca Saab por meio de um contrato de US$ 9,2 bilhões (R$ 37,5 bilhões) que prevê a entrega de 351 unidades além de 46 simulares de voo. As primeiras aeronaves, assim como seus equipamentos, começarão a ser enviados para a base aérea de San Antonio-Randoph, no Texas, em 2023.


A escolha da designação envolve a sequência numérica dos treinadores (o avião anterior foi o T-6 Texan II), enquanto a denominação “Red Hawk” é uma homenagem ao Tuskegee Airmen Aviadores de Tuskegee), um destacamento de voo que combateu na Segunda Guerra Mundial e também na Coreia e era formado por pilotos negros em uma época em que a segregação racial nos EUA ainda era imensa e pouco se acreditava na sua capacidade em funções mais especializadas como essa.

“O nome Red Hawk homenageia o legado dos aviadores da Tuskegee e presta homenagem às aeronaves de cauda vermelha da Segunda Guerra Mundial”, disse Donovan. “O nome também é uma homenagem ao Curtiss P-40 Warhawk, um avião de caça americano que voou pela primeira vez em 1938 e foi pilotado pelo 99º Esquadrão de Caças, o primeiro esquadrão de caça afro-americano das Forças Aéreas do Exército dos EUA”.

Para marcar sua presença, os pilotos do “Tuskegee Airmen” pintavam em vermelho a cauda de seus P-40, P-47 e P-51 e lutaram nos céus da Europa derrubando certa vez três aviões alemães em apenas um dia.

Um P-51 com a cauda vermelha característica dos Tuskegee Airmen (USAF)

Aposentadoria de uma lenda


A aeronave que o T-7A substituirá tornou-se uma das mais lendárias dos EUA. O Northrop T-38 Talon já está em serviço há 58 anos como principal jato de treinamento da USAF, além de ter desempenhado diversas outras funções, incluindo uma carreira destacada na NASA. Sem falar em ter dado origem ao caça F-5, popular em várias forças aéreas do mundo incluindo no Brasil.

No entanto, sua idade tem tornado o treinamento de novos pilotos um imenso desafio: “A distância entre o T-38 e um F-35 é como a noite do dia”, disse o chefe do Estado Maior da Força Aérea, David L. Goldfein. “Com o T-7A, essa distância é reduzida. O jato apresenta recursos que preparam pilotos para caças de quinta geração, incluindo ambiente de alto G, gerenciamento de informações e sensores, características de voo de alto ângulo de ataque, operações noturnas e habilidades transferíveis ar-ar e ar-solo.”

Pilotos do “Tuskegee Airmen” durante a Segunda Guerra (USAF)

Seu motor GE F404 com pós-combustor, por exemplo, é três vezes mais potente que os dois motores do T-38. “O T-7A será a conexão com uma nova geração de aeronaves”, disse Donovan. “O Red Hawk oferece recursos avançados para o treinamento dos pilotos de amanhã em links de dados, radar simulado, armas inteligentes, sistemas de gerenciamento defensivo, além de recursos de treinamento sintético”.

O T-7A possui um projeto mais próximo dos atuais caças, com cauda com estabilizadores duplos e extensões do bordo de ataque das asas além da carlinga maior e capaz de proporcionar uma visão panorâmica. Não é de se espantar se no futuro Boeing e Saab resolvam oferecer uma variante de combate para países com orçamentos mais apertados, assim como ocorreu com o T-38 e o F-5.

O T-38 Talon é operado pela USAF desde 1961 (Divulgação)

O T-38 Talon é operado pela USAF desde 1961 (Divulgação)

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