O último MiG-21 é na verdade o GAIC JJ-7A, versão chinesa do famoso caça soviético

O último MiG-21 é na verdade o GAIC JJ-7A, versão chinesa do famoso caça soviético

Um dos caças mais emblemáticos da história, o MiG-21 finalmente parou de ser fabricado, após quase 60 anos de produção continua. A última unidade da aeronave foi produzida na China, como GAIC JJ-7A, a versão de treinamento do Chengdu J-7, a versão chinesa do clássico avião supersônico desenvolvido na antiga União Soviética. O modelo derradeiro (matrícula 3827) foi entregue a força aérea da China no dia 22 de março.

A versão chinesa do MiG-21, construída sob licença, era produzida em série desde 1965. Nesse período foram fabricadas mais de 2.400 unidades do caça. Além de servir na China, o modelo produzido localmente também foi exportado para mais de uma dezena de países, como Iraque, Albania, Egito e Paquistão. Na década de 1980, o Brasil também cogitou comprar a aeronave, mas cancelou o projeto para priorizar o desenvolvimento do Embraer AMX.


O primeiro voo do Chengdu J-7 aconteceu no dia 17 de janeiro de 1966, 10 anos depois do voo inaugural do MiG-21, que decolou em 15 de fevereiro e de 1956. O modelo soviético, desenvolvido pela Mikoyan-Gurevich, foi produzido em série de 1959 até 1981, tempo em que somou 10.655 unidades. O caça também foi fabricado na Índia e na antiga Checoslováquia.

Simples, mas eficaz 

O MiG-21, um caça monomotor de segunda geração (como os F-5 da FAB) foi uma evolução dos primeiros caças a jato produzidos na URSS, como o MiG-15 e o MiG-19. Foi o primeiro avião de combate soviético capaz de voar a Mach 2, duas vezes a velocidade do sim (cerca de 2.175 km/h). Era uma aeronave de manutenção simples e preço acessível. Devido a essas qualidades, a aeronave foi adquirida por mais de 60 forças aéreas no mundo todo.

A fama em combate do MiG-21 surgiu durante a Guerra do Vietnã, com modelos então operados pelo Vietnã do Norte. O principal ríval do caça soviético nesse tempo foi o norte-americano McDonnell Douglas F-4 Phantom II, que tinha larga desvantagem em capacidade de manobra, embora fosse equipado com sensores e armamentos mais avançados.


Caça MiG-21 com as cores da Força Aérea da Croácia; país aposentou o jato recentemente (Tomislav Haraminčić)

MiG-21 com as cores da Força Aérea da Croácia; país aposentou o jato recentemente (Tomislav Haraminčić)

A aeronave ainda esteve presente em diversos conflitos na África, Ásia e Oriente Médio. O Iraque, por exemplo, teve uma série de aparelhos abatidos pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) durante a Guerra do Golfo, na década de 1990. Atualmente, o MiG-21 e o J-7 ainda são importantes instrumentos de defesa em países como Cuba e Coreia do Norte

Os EUA adquiriu uma série de caças MiG-21 de forma clandestina para avaliar sua performance (USAF)

Os EUA adquiriu uma série de caças MiG-21 de forma clandestina para avaliar sua performance (USAF)

O MiG-21 (ou o J-7) pode ser aplicado como caça ou avião de ataque ao solo. Para tal, possui um canhão de 23 mm e conta com quatro cabides de armamentos, que podem ser mísseis (guiados por calor e radar), bombas e foguetes. Ao longo desses quase 60 anos de operação, a aeronave passou por uma série de programa de modernizações. As versões mais recentes são considerados caças de terceira geração, desenvolvidos a partir de década de 1970.

Considerado um dos principais símbolos soviéticos durante a Guerra Fria, o MiG-21 foi o caça a jato mais produzido de todos os tempos e o avião militar mais fabricado após a Segunda Guerra Mundial.

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