O Uber quer introduzir o novo serviço de táxi voador em até cinco anos (Uber)

O Uber quer introduzir o novo serviço de táxi voador em até cinco anos (Uber)

O Uber divulgou nessa quinta-feira (27) um documento com 87 páginas explicando com riqueza de detalhes o projeto “Uber Elevate”, um serviço de táxi urbano voador. A empresa que ficou famosa pelo aplicativo de “caronas” pagas, planeja iniciar a empreitada dentro de cinco anos e já detalhou tudo que vai precisar para fazer a ideia literalmente decolar.

Na visão do grupo, o Uber Elevate é apropriado somente para cidades que registram longos congestionamentos e para usuários que normalmente realizam longas viagens de carro. Além disso, os veículos, no caso aeronaves, precisam ser “altamente automatizados” e ter motorização elétrica, além da capacidade de pousar e decolar na vertical, como um helicóptero, mas mantendo a possibilidade de voar como um avião, sustentado por asas.


Segundo os requisitos do Uber, os “táxis aéreos” devem ser lançados inicialmente com pilotos, com espaço para até três passageiros. Mais adiante, entrarão em cena os veículos autonômos, permitindo a entrada de mais um passageiro.

O documento do Uber ainda estabelece que as aeronaves terão de seguir um padrão de segurança aeronáutica quatro vezes mais rígido que o atual. Outra exigência é sobre o nível de ruído dos veículos, que deve ser quatro vezes inferior ao de um helicóptero leve – normalmente os mais barulhentos.

O Uber não vai fabricar a aeronave, mas vai comprar de quem desenvolvê-la, como explicou Jeff Holden, diretor de produto do Uber, ao AviationWeek. Segundo Holden, a empresa está disposta a pagar inicialmente US$ 1,2 milhão por aeronave, reduzindo para US$ 600 mil em curto prazo e US$ 200 mil a longo prazo, já com um veículo totalmente autônomo. O grupo ainda afirmou que pode adquirir até 5.000 desses aparelhos por ano, se o projeto de fato sair do papel.

Esboço do Uber sobre motores com rotores basculantes, conceito que pretende introduzir no Uber Elevate (Uber)

Esboço do Uber sobre motores com rotores basculantes, conceito que pretende introduzir no Uber Elevate (Uber)

Para ativar uma rede de táxis voadores, o Uber aponta que os veículos devem voar de forma segura e tranquila. Não só isso, devem ser rápidos o suficiente para oferecer economia de tempo significativa em relação ao transporte terrestre e capacidade para operar em ambientes urbanos “lotados”, como cita o documento, o que por sua vez acrescenta o requisito de pousos e decolagens em pequenos espaços. E tem mais.


Os veículos ainda devem ser pequenos o suficiente para permitirem a alta utilização, com disposição para voar até 260 dias em um ano (ou oito horas por dia), mas grandes o suficiente para maximizar o fluxo de passageiros e a receita obtida. Já as viagens do Uber Elevate terão de ter preços competitivos comparados aos do transporte terrestre e suficientemente baratos (começando em cerca de R$ 63, em viagens compartilhadas) aos usuários que não têm condições de possuir um carro, especifica a empresa.

Para o conceito do Uber se tornar realidade também é necessário a ajuda de órgãos aeronáuticos e municípios, que terão de afrouxar algumas regras. A aeronave do Uber deve voar na mesma altitude e velocidade de helicópteros, exigindo ampliações e modificações no sistema de controle aéreo, além da criação de pontos especiais de embarque e desembarque. E a inspiração para essa modificação está em São Paulo (SP).

Projeção de preços e tempo das viagens do Uber Elevate (Uber)

Projeção de valores e tempo das viagens do Uber Elevate; os preços podem começar em cerca de R$ 63 (Uber)

O documento sobre o Uber Elevate cita o bem sucedido controle de tráfego aéreo de helicópteros em São Paulo, um dos mais movimentados do mundo, onde centenas dessas aeronaves percorrem a cidade todos os dias voando por visual ou somente por instrumentos, características que o Uber pretende implantar em seu táxi voador.

UberCOPTER

Em junho deste ano, o Uber testou o projeto-piloto UberCOPTER em São Paulo, em parceria com a Airbus. O serviço consistia em voos de helicópteros com pontos de partida e destinos pré-definidos, em helipontos e aeroportos. A viagem tinha preço inicial de R$ 66. Terminado o período de testes, a empresa não deu continuidade ao projeto, realizado apenas no Brasil.

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