Boeing 737 MAX da Southwest: maior operadora do modelo precisará tirá-lo de serviço também (Southwest)

Um dia depois de negarem qualquer risco com o avião, a FAA (agência de aviação civil dos EUA) e a Boeing determinaram que todos os 737 MAX ainda em operação sejam mantidos no solo. A medida, no entanto, só foi tomada depois que o governo americano ordenou que a agência seguisse o mesmo procedimento adotado por vários países, incluindo os integrantes da União Europeia.

A agência tomou essa decisão como resultado do processo de coleta de dados e novas evidências coletadas no site e analisadas hoje. Esta evidência, juntamente com os dados de satélite recém-refinados disponíveis para a FAA nesta manhã, levou a esta decisão“, explicou a FAA em declaração divulgada há instantes, citando os novos fatos como justificativa para a mudança de postura.



Já a Boeing, embora continue afirmando que é o 737 MAX é seguro, admitiu que era inviável manter a aeronave em voo sob tamanha pressão: “depois de consultar a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), o Conselho Nacional de Segurança em Transporte dos EUA (NTSB) e as autoridades de aviação e seus clientes em todo o mundo, a Boeing determinou – com cautela e para garantir a segurança da aeronave – recomendar à FAA a suspensão temporária das operações de toda a frota global de aeronaves 371 737 MAX“.

A medida afeta não apenas as companhias aéreas American Airlines e Southwest, que operam o modelo 737 MAX 8, como também a United Airlines, cuja frota de MAX 9, versão de maior capacidade, é hoje de 14 aviões.

A negativa da FAA e da Boeing em reconhecer o risco com o 737 MAX era criticada por congressistas americanos que pressionaram Donald Trump a tomar uma atitude. O presidente dos EUA conversou nesta quarta-feita com diretor da FAA, Daniel Elwell, a secretária de transportes, Elaine Chao, e o executivo chefe da Boeing, Denis Muilenburg. Logo após a conversa, a FAA divulgou a ordem para que todos os 737 MAX deixem de voar no país.

United Airlines opera 14 unidades do Boeing 737 MAX 9, versão de maior capacidade do jato (UA)

MCAS, o vilão?

A suspeita de que há algo errado com o software de controle de voo do 737 MAX ganhou força com o acidente da Ethiopian no domingo. Embora ainda não se tenham detalhes sobre o comportamento da aeronave após a decolagem, algumas semelhanças com o acidente da Lion Air em 2018 impressionam. Em ambos os casos, os aviões caíram minutos após decolarem e aparentemente num mergulho acentuado.

Após analisar a investigação com o 737 MAX indonésio, a Boeing decidiu modificar o MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System), sistema automático que ajuda a tripulação a baixar o nariz do avião em caso de ângulo de ataque elevado. Esse upgrade no software está programado para ocorrer nas próximas semanas, disse o fabricante, mas não teria relação com o acidente de domingo.

O MCAS surgiu como uma forma de compensar a tendência de levantar o nariz em algumas situações de voo do 737 MAX. Para tornar o avião mais econômico, a Boeing precisou modificar a posição dos motores, que são maiores do que antes. A solução foi levar o motor para uma posição mais à frente e elevada além de “esticar” o trem de pouso em 20 cm, mas a alteração teve como efeito colateral uma situação de instabilidade em certos perfis de voo. Relatos de pilotos nos EUA afirmam que o 737 MAX apresentou um comportamento estranho após a decolagem, com o piloto automático ligado.

Mais do que nunca, entender o que ocorreu com o 737 MAX da Ethiopian Airlines passa a ser um imperativo.

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