Os jatos Bombardier C Series já estão em operação com três companhias aéreas (Divulgação)

A Swiss é o maior operador do A220 no mundo, com 29 aeronaves na frota (Divulgação)

A companhia aérea Swiss suspendeu da manhã desta terça-feira (15) todos os seus voos com o Airbus A220 (ex-Bombardier CS300) após uma aeronave sofrer um desligamento repentino de motor em pleno voo.

O incidente ocorreu no voo LX259, de Londres com destino a Genebra, que precisou fazer um pouso alternado no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, depois que um dos motores parou de funcionar enquanto sobrevoava a Bélgica.


O acontecimento desta manhã já é o terceiro desligamento repentino de motor registrado pela Swiss em seus A220. Em 25 de julho, o voo de Genebra para Londres também alternou para Paris após a aeronave perder um motor. Já em 8 de setembro, outro jato voando de Estocolmo para Zurique fez um pouso de emergência na Alemanha por conta do mesmo problema.

A companhia informou que todos os A220 de sua frota ficarão aterrados até que as verificações nos motores sejam concluídas. De imediato, a Swiss cancelou todos as operações com a aeronave partindo de Zurique e Genebra e manteve apenas os voos de chegada nesses destinos.

“Em vista do incidente adicional com um motor do Airbus A220, a Swiss decidiu realizar inspeções do motor em toda frota de A220. Isso significa que todas as aeronaves A220 da Swiss serão submetidas a um extenso exame a partir do meio-dia de hoje. Somente após uma inspeção sem falhas essas aeronaves serão devolvidas às tarefas regulares de voo. Isso colocará restrições substanciais nas operações de voo da Swiss, pois vários voos serão cancelados”, diz o comunicado da empresa.

A Airbus está acompanhando o caso da Swiss e informou que “juntamente com o fabricante do motor, estamos apoiando nosso cliente para minimizar interrupções em suas operações”. O problema registrado pela companhia suíça também está sendo investigado pela NTSB, organização dos EUA que investiga acidentes e incidentes na aviação.

Dirigida pelo grupo Lufthansa, a Swiss é atualmente o maior operador do Airbus A220 no mundo, com 29 aeronaves na frota, sendo nove modelos A220-100 e 20 A220-300, todas equipadas com motores fornecidos pela Pratt & Whitney.

Alerta ligado

O apagamento de motores em pleno voo não é exclusividade dos A220 da Swiss. Incidentes semelhantes foram registrados em aviões do mesmo tipo das companhias Air Tanzania e Korean Air.

O motor de um A220 da Korean Air também desligou em pleno voo (PW)

Outro operador da aeronave, a airBaltic também vem enfrentando problemas com os turbofans de seus A220 e já fez até 50 trocas de motores em seus 20 modelos, segundo o Simple Flying. Demais clientes do jato, a Delta Air Lines e a Egyptair não relataram problemas em seus aparelhos.

Em setembro, a agência de aviação civil dos EUA (FAA) emitiu um boletim de aeronavegabilidade alertando sobre a redução da vida útil dos motores Pratt & Whitney que equipam o Airbus A220 e a nova série E2 da Embraer, os turbofans PW1500G e PW1900G, pela ordem. Por coincidência ou não, a investigação foi iniciada justamente após um incidente com um A220 da Swiss.

O FAA afirma que os novos motores usados no A220 e E2 podem apresentar rachaduras prematuras no compressor de alta pressão, o que pode causar a quebra do componente. Nesses casos, as partes danificadas podem ser sugadas para dentro do motor e danificá-lo. Por conta disso, a agência americana recomenda aos operadores da aeronave fazerem revisões manuais nos motores com maior frequência.

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