(UAC)

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O jato regional Superjet 100, produzido na Rússia, não faz mais parte da linha de produtos da Sukhoi. A controladora da fabricante, o grupo United Aircraft Corporation (UAC), reorganizou a estrutura da companhia no final de novembro e separou seus programas de aeronaves comerciais e militares. O novo “dono” do avião comercial russo agora é a Irkut, outra marca da UAC.

A mudança exigiu a transferência de todas as ações da Sukhoi Civil Aircraft Corporation (SCAC), fabricante e projetista do Superjet, de sua subsidiária Sukhoi Holding para a Irkut.


“A Sukhoi é uma fabricante bem estabelecida de aeronaves de combate para os militares russos e clientes de exportação, e aeronaves comerciais não são um foco”, apontou o Aviation Week, citando uma fonte da empresa.

Além da SCAC, a Irkut também incorporou outras duas divisões do grupo UAC: a Yakovlev Design Bureau, que projeta sistemas de comando de voo, e a AeroComposit, fabricante de componentes aeronáuticos de material composto.

A decisão de reunir todos os programas de aeronaves comerciais da UAC sob uma única gestão foi tomada em 2017, mas somente agora começou a tomar forma. A Irkut foi escolhida para dar continuidade ao Superjet porque hoje é a empresa que lidera o desenvolvimento de aviões civis da Rússia.

Outros produtos da Irkut são o jato narrowbody MC-21 e o widebody CR929, projetado em parceria com a COMAC, da China.

A Sukhoi criou a divisão de aviação civil em 2000 para separar o projeto do Superjet 100, também conhecido como SSJ100 (de Sukhoi Superjet 100), de seus tradicionais programas militares, como os caças Su-35 e novo Su-57. O projeto também contava com a participação estratégica da Leonardo, da Itália, que se retirou do programa no início de 2017 devido ao fraco desempenho financeiro do avião.

A companhia Aeroflot, da Rússia, é o maior operador do Superjet 100, com cerca de 60 unidades em serviço (UAC)

A companhia Aeroflot, da Rússia, é o maior operador do Superjet 100, com cerca de 60 unidades em serviço (UAC)

Carreira conturbada

Nunca um avião comercial fabricado na Rússia, ou mesmo nos tempos da União Soviética, conseguiu fazer sucesso no Ocidente. O Superjet 100 não foge à regra. Anunciado em 2000 e testado em voo pela primeira vez em 2008, o jato regional projetado pela Sukhoi tem o porte e desempenho semelhantes aos dos Embraer E175, mas seu desempenho comercial é pífio.

Em pouco mais de 10 anos no mercado o Superjet somou cerca de 170 unidades entregues, a maioria para empresas aéreas da Rússia e órgãos públicos do país – o governo da Tailândia também comprou três unidades. As raras exceções no Ocidente são as companhias aéreas Interjet, do México, e CityJet, da Irlanda.

Hoje avaliado em aproximadamente US$ 50 milhões, o Superjet 100 começou sua carreira na aviação comercial da pior forma possível e sempre é lembrado por esse fato negativo. Em maio de 2012, um modelo da própria Sukhoi caiu em Jacarta, na Indonésia, enquanto realizava um voo de demonstração com clientes e jornalistas a bordo. O avião transportava 37 passageiros e oito tripulantes. Todos morreram no acidente.

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