(Airbus)

Sem motor, o planador Perlan 2 voou muito acima da faixa onde operam os jatos comerciais (Airbus)

O Perlan 2, super planador desenvolvido por um grupo de pesquisadores apoiados pela Airbus, consquistou um novo recorde para aeronaves não motorizadas, nesta terça-feira (28), ao voar a mais de 62 mil pés (18.897 metros) de altitude em El Calafate, na Argentina. Essa é a segunda marca recordista registrada pelo planador nos céus da Patagônia argentina – em setembro de 2017 a aeronave alcançou 52 mil pés (15.849 m).

Durante a quebra do recorde, o Perlan 2 ultrapassou a “Linha de Armstrong”, faixa da estratosfera onde o sangue de um humano desprotegido ferve em caso de despressurização da aeronave. O planador, que possui cabine pressurizada, foi comandado por Jim Payne, dos Estados Unidos, e Morgan Sandercock, da Austrália, os mesmos pilotos do recorde estabelecido em 2017.


“Esse é um momento incrível para todos os voluntários e patrocinadores da Airbus Perlan Mission II, que têm se dedicado muito para fazer nossa iniciativa aeroespacial sem fins lucrativos se tornar realidade”, disse Ed Warnock, CEO do projeto Perlan. “Nossa vitória hoje e qualquer outra conquista alcançada nesse ano, são provas do espírito pioneiro de exploração que corre nas veias de todos que estão envolvidos no projeto, bem como nas das organizações que nos apoiam”.

A temporada de voos do Perlan 2 neste ano também contou com um “empurrão” extra para alcançar o novo recorde. O planador foi rebocado por um avião especial para altitudes elevadas, ao invés de um rebocador convencional. O ajudante desta vez foi um turbo-hélice alemão Grob Egrett G520, um avião de reconhecimento de grande altitude modificado para ser utilizado nessa missão.

O Perlan 2 decola e ganha altitude com a ajuda de um avião rebocador (Airbus)

O Perlan 2 decola e ganha altitude com a ajuda de um avião rebocador (Airbus)

O Egrett rebocou o Perlan 2 até a base da estratosfera e o soltou a uma altura de cerca de 42 mil pés (12.800 m), mesma faixa onde opera o jato comercial Airbus A380. Liberado para o voo livre, o planador pegou carona nas correntes de ar ascendentes geradas nos topos de montanhas e fortalecidas pelo vórtice polar, fenômeno que ocorre por um breve período em poucos lugares da Terra. A região de El Calafate, localizada na cordilheira dos Andes, é um raros locais onde essas correntes são capazes de atingir 100 pés (30,4 mil metros) ou mais.

“O Projeto Perlan vem alcançando feitos até então considerados impossíveis e nosso apoio a essa iniciativa deixa claro para nossos colaboradores, fornecedores e competidores que não nos contentaremos com sermos nada menos que extraordinários”, disse Tom Enders, CEO da Airbus.


Grob Egrett G520 (Airbus)

O turbo-hélice alemão Grob Egrett G520 foi desenvolvido para voos em altitudes elevadas (Airbus)

Planador hi-tech

O Perlan 2 foi construído pelo grupo de pesquisas Airbus Perlan Mission, que nos últimos anos vem esmagando os recordes de altitude para aeronaves não motorizadas, além de realizar pesquisas sobre o meio ambiente.

O primeiro recorde da equipe, ainda sem o apoio da Airbus, foi estabelecida em 2006, quando passou dos 50 mil pés (15.240 m) usando um planador com poucas modificações. O primeiro Perlan não tinha a cabine pressurizada, problema que os pilotos contornavam vestindo trajes pressurizados semelhantes aos de astronautas.

A segunda geração do Perlan foi construída em 2015, no estado do Oregon, nos EUA, e trouxe uma série de avanços para alcançar até 100 mil pés, altitude que o grupo estabeleceu como principal objetivo a ser alcançado.

Parece uma nave espacial, mas nem motor ele tem... (Airbus)

Parece uma nave espacial, mas nem motor ele tem… (Airbus)

Toda a fuselagem e asas do Perlan 2 são construídos praticamente 100% com fibra de carbono e a cabine possui um sistema de pressurização de pequeno porte e alta eficiência, o que segundo a Airbus elimina a necessidade de utilizar compressores mais pesados e que consomem mais energia. O planador ainda possui um sistema de reciclagem de ar e equipamentos que detectam as ondas de ar ascendentes.

Ao contrário das tradicionais aeronaves utilizadas em pesquisas, que possuem motores, o Perlan 2 não interfere na temperatura ou composição química do ar ao seu redor, fazendo com que seja a plataforma ideal para se estudar a atmosfera.

Neste ano, o Perlan 2 leva a bordo experimentos criados pelo comitê de ciência e pesquisa do Projeto Perlan, bem como projetos desenvolvidos em colaboração com organizações e instituições de ensino dos Estados Unidos e Argentina.

Veja mais: Startup dos EUA lança aeronave que qualquer pessoa pode pilotar