CEO da empresa diz que as passagens para voar no jato hipersônico podem custa cerca de R$ 12 mil

Nova startup dos Estados Unidos no ramo aeroespacial, a Hermeus Corporation, com sede em Atlanta, revelou recentemente seu plano para desenvolver um avião comercial capaz de viajar a Mach 5 (cinco vezes a velocidade do som), ou seja, hipersônico. A empresa diz que uma aeronave desse tipo poderia percorrer a movimentada rota entre Londres e Nova York em apenas 90 minutos, trecho que atualmente pode exigir mais de sete horas para ser concluído.

Em comunicado, a Hermeus afirma que já obteve o financiamento inicial de seus fundadores e investidores privados para começar o desenvolvimento da aeronave. Se for bem sucedido, o projeto poderá revolucionar os voos comerciais transatlânticos. O plano da companhia é criar um avião com autonomia de 7.360 km e velocidade máxima de 6.100 km/h, o que também permitiria voar de São Paulo até Miami em pouco mais de uma hora, viagem que hoje é realizada em quase nove horas.


“Iniciamos uma jornada para revolucionar a infraestrutura de transporte global, aumentando radicalmente a velocidade das viagens por longas distâncias”, disse AJ Piplica, co-fundador e CEO da Hermeus Corporation. O executivo ainda comparou a chegada de aviões comerciais hipersônicos no mercado com a passagem da conexão discada de internet para a era da banda larga.

Em entrevista à CNN, Piplica disse que o desenvolvimento da aeronave pode levar uma década. “Temos uma tonelada de voos para fazer nesse tempo. Teremos pelo menos duas iterações menores de aeronaves que construiremos, testaremos e aprenderemos nesse tempo”, disse o CEO, que também já tem um preço definido para as passagens aéreas no avião hipersônico: US$ 3.000 (cerca de R$ 12.000).

Paul Bruce, palestrante sênior do Departamento de Aeronáutica do Imperial College London, porém, foi cauteloso ao comentar sobre o projeto da Hermeus. “O maior desafio para o voo hipersônico é a propulsão”, disse à CNN. “Nós enviamos veículos pequenos para cima e os voamos velocidade hipersônica usando scramjets, um tipo avançado de motor a jato. Isso é bastante experimental e temos um longo caminho a percorrer antes de os vermos em um avião de passageiros.”

“A questão maior é a financeira e, talvez, ambiental. Voar tão rápido vai queimar muito combustível e será muito mais ineficiente do que voar devagar. Mas se há mercado para isso, não tenho dúvida que poderíamos construir um desses tipos de aviões”, acrescentou Bruce.

Se de fato chegar ao mercado, o avião da Hermeus será duas vezes mais rápido que o supersônico Concorde, retirado de cena em 2003 e que era capaz de viajar entre nova York e Londres em menos de quatro horas.

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