A350-900ULR da Singapore: voo mais longo do mundo liga agora Cingapura à Nova York (SIA)

Ficar a bordo de um avião por ininterruptas 18 horas e 25 minutos no ar não é tarefa para qualquer mortal. Não é à toa que a Singapore Airlines reestreou o voo direto entre Cingapura e Nova York nesta quinta-feira (11) configurando o novíssimo Airbus A350-900ULR (de ultra longo alcance) para levar apenas 161 passageiros, 94 deles na econômica premium e 67 na classe executiva.

Apesar disso, as companhias aéreas sobretudo da Ásia enxergam nesses jatos de autonomia impressionante uma opção viável para evitar uma escala pelo caminho. No caso do voo SQ22, estamos falando de uma distância de cerca de 15,3 mil quilômetros, 800 a mais que a rota Doha-Auckland (Nova Zelândia) que era até aqui a mais longa do mundo e operada pela Qatar Airways com um Boeing 777-200LR.



Curiosamente, esse primeiro voo durou 17 horas e 25 minutos, por conta das características da rota no dia – correntes de ar no norte do Oceano Pacífico ajudaram a acelerar a viagem. A aeronave decolou com 150 passageiros e com a executiva lotada. Enquanto eles tiveram acesso a duas refeições completas e assento que se transforma numa cama, os clientes que embarcaram na econômica premium puderam desfrutar de três refeições e espaço para as pernas mais generoso para suportar o longo período em ambiente pressurizado.

Mais rotas a caminho

Pela pressa com que a Singapore colocou seu primeiro A350-900ULR em serviço nesse voo nota-se como seu alcance fenomenal fez diferença. A companhia asiática já ligava as duas cidades sem escalas mas com o A340-500, um quadrirreator e por isso muito gastão – em 2013 ela desistiu do voo por conta dos altos custos.

Agora, com a versão de longo alcance do A350, a Singapore pode retomar o longo voo de forma, digamos, sustentável financeiramente afinal o jato de última geração é bem mais eficiente que aeronaves semelhantes mais antigas. Mas para oferecer a autonomia pretendida a Airbus precisou modificar o birreator ao aprimorar seu sistema de alimentação de combustível aumentando a capacidade em 17% além de adicionar alguns elementos aerodinâmicos para conseguir alguns quilômetros a mais de alcance.

A rota estreia com três vezes por semana, porém, a Singapore já faz planos para ampliar o serviço para um voo diário na semana que vem. E com os outros seis A350 ULR que receberá daqui em diante pretende voar também para Los Angeles e San Francisco, nos EUA.

E o Brasil?

Com quase 18 mil km de alcance, a aeronave da Airbus (assim como o novo 777X da Boeing) é capaz de ligar o Brasil a vários destinos na Ásia sem escalas, algo que hoje não ocorre. Por conta da necessidade de uma escala, companhias como Korean e a própria Singapore acabaram desistindo da rota quando as rivais do Oriente Médio, mais bem situadas e com muitas conexões e preços agressivos, começaram a operar por aqui.

A distância entre Rio ou São Paulo e Cingapura, por exemplo, é de cerca de 16 mil km, um pouco mais distante que Nova York. O problema é que a configuração do A350-900ULR exige que as tarifas sejam mais caras para compensar o número reduzido de passageiros a bordo – a própria Singapore oferece 253 lugares em três classes em seus A350 comuns, quase 100 a mais que no novo avião. Portanto, é pouco provável que ela volte a voar para Guarulhos, como fazia até outubro de 2016.

O A350-900ULR não é um avião comum, daqueles que encontraremos em vários aeroportos do mundo. Pense nele como uma versão especial, capaz de amenizar um pouco o longo tempo dispendido para viajar entre algumas partes do mundo. Ele será viável até que a aviação retome os planos dos jatos supersônicos ou que viagens sub-orbitais tornem-se um dia possíveis. Aí sim, não será preciso assistir a uma temporada completa de Game of Thrones para ocupar seu tempo.

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