A certificação do LM-100J para a aviação comercial é esperada para o início de 2018 (Lockheed Martin)

A certificação do LM-100J para a aviação comercial é esperada para o início de 2018 (Lockheed Martin)

Acostumada nos últimos anos a trabalhar somente com projetos militares, a Lockheed Martin ensaia em ritmo acelerado seu retorno à aviação comercial com o novo Hercules civil. A fabricante norte-americano anunciou no último dia 19 de outubro que testou com sucesso o segundo protótipo do LM-100J, versão comercial do tradicional cargueiro militar C-130 Hercules.

“O voo foi excelente e o desempenho da aeronave foi impecável”, disse Wayne Roberts, principal piloto da fabricante no programa de testes do LM-100J, que voou com a aeronave a partir da instalação do grupo em Marietta, no estado de Atlanta. “Após este primeiro voo bem-sucedido com sistema aeronavegabilidade, está aeronave se juntará ao primeiro protótipo na condução do programa de teste de atualização de ‘projeto de tipo’ com a FAA”, completou Roberts.


A FAA, a agência federal que regulamenta a aviação nos EUA, já aprovou no passado o L-100, a primeira versão comercial do Hercules, oferecida entre 1964 e 1992, além de todas as versões militares de série do veterano cargueiro, no mercado desde a década de 1950.

O LM-100J é baseado na versão mais recente do quadrimotor turbo-hélice, o C-130J, também chamado de “Super Hercules”, e cumpre praticamento todo o leque de missões projetadas para o modelo militar. O primeiro protótipo da aeronave voou em maio deste ano.

Segundo a Lockheed Martin, a nova versão civil do Hercules poderá ser aplicada em 17 tarefas diferentes, como funções triviais de transporte de carga e passageiros a complexos lançamentos de cargas em voo e operações de combate a incêndios. Vale lembrar que o modelo civil mantém mesma capacidade do modelo militar de pousar e decolar a partir de pistas semi-preparadas (em diferentes pisos, como terra e gelo).

Lançamento em 2018


A fabricante americana programou o lançamento do LM-100J para o primeiro semestre de 2018, logo após a conclusão do programa de testes e certificação para o mercado comercial. A aeronave, até o momento, tem três clientes: o ASL Aviation Group, da Irlanda, e a Bravo Industries, empresa do Brasil que atua nos segmentos de transporte logístico e defesa. Já a identidade do terceiro cliente ainda não foi revelado.

O L-100 foi a primeira versão civil do Hercules, produzido entre 1965 e 1992 (Divulgação)

A companhia Continental dos EUA foi um dos operadores da primeira versão civil do Hercules (Divulgação)

Somando os três compradores, a Lockheed Martin tem uma lista de 25 aeronaves encomendadas. No entanto, 20 desses modelos ainda estão em negociação. São justamente os aviões da ASL e da Bravo, empresas que até o momento assinaram somente o acordo de “intenções de compra”, cada uma para 10 aviões. O cliente ainda não revelado está em estágio mais avançado na negociação e fechou um acordo “firme” para aquisição de cinco modelos.

O preço da aeronave é estimado na faixa dos US$ 60 milhões (cerca de R$ 195 milhões). Outra novidade da nova versão civil do Hercules é a opção de configurar a aeronave para transporte VIP.

A Lockheed Martin acredita que o LM-100J pode atingir um mercado que vai exigir de 75 a 125 aeronaves dessa categoria nos próximos 20 anos. A empresa americana produziu 115 unidades do primeiro Hercules civil, das quais mais de 30 exemplares ainda continuam em operação.

A primeira entrega do LM-100J está programada para 2018; o primeiro cliente será uma empresa brasileira (Lockheed Martin)

O primeiro protótipo do LM-100J voou em maio de 2017; o primeiro cliente da aeronave pode brasileiro (Lockheed Martin)

Embraer KC-390 também pode chegar ao mercado civil

Ainda em fase de certificação para o serviço militar, o cargueiro Embraer KC-390 também pode se tornar futuramente uma opção no mercado de civil para aeronaves multimissão. Em abril deste ano, durante a feira de artigos militares LAAD, no Rio de Janeiro, Paulo Gastão Silva, diretor da Embraer no programa KC-390, confirmou o interesse da fabricante brasileira nesse segmento, mas não revelou maiores detalhes.

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