O Robinson R44 da Helimarte é um dos helicópteros que realiza os voos da Voom (Thiago Vinholes)

O Robinson R44 da Helimarte é um dos helicópteros que realiza os voos da Voom (Thiago Vinholes)

Além de fabricar aviões e helicópteros de última geração, a Airbus também está pensando em mobilidade urbana. Parte do grupo europeu responsável por essas soluções é a A³, divisão que a empresa chama de “incubadora de inovações”. O primeiro projeto dessa nova linha é a Voom, um serviço de transporte de helicóptero por demanda, método que possibilita cobrar preços mais baixos, comparados aos dos táxis-aéreos convencionais.

São Paulo é a primeira cidade do mundo a receber o novo projeto da Airbus, disponível desde abril. “Escolhemos São Paulo pelo fato da cidade já possuir a maior frota de helicópteros do mundo e toda a infra-estrutura para voos regulares, com diversos helipontos e um sistema de controle aéreo especializado, além de uma legislação aeronáutica mais permissiva”, explicou Uma Subramanian, CEO da Voom, em entrevista ao Airway.



“O Voom é bem diferente do táxi-aéreo de helicóptero convencional porque o cliente não precisa pagar por todas as despesas que são inclusas nesse tipo de serviço. É cobrado apenas o trecho referente ao voo solicitado e uma taxa fixa”, contou Uma.

Como explica a CEO, com esse método de cobrança, o preço do transporte de helicóptero da Voom não chega a um terço do praticado por empresas de táxi-aéreo, como as que operam na capital paulistana. “Não é um serviço de luxo, não é caríssimo. E já está indo muito bem. Desde o lançamento, no começo de abril, foram realizados mais de 500 voos pela Voom.”

Como funciona e quanto custa?

Para solicitar um voo é necessário entrar no site da Voom e fazer um rápido cadastro. O transporte deve ser agendado com até uma hora de antecedência. Após o pedido, o passageiro é informado sobre o status do voo por meio de mensagens no celular, que confirma a reserva e avisa quando o helicóptero está chegando ao heliponto de embarque.

O serviço da Voom já está disponível em cinco pontos em São Paulo: os aeroportos de Guarulhos, Congonhas e Campo de Marte, no Helicidade, localizado no Jaguaré, e no Hotel Blue Tree, na Avenida Faria Lima. Os voos, que podem ser compartilhados com outros passageiros, são realizados de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h. O pagamento é feito por cartão de crédito, pelo próprio site da plataforma.

O voo entre a Avenida Faria Lima e o Aeroporto de Congonhas é realizado em menos de 10 minutos (Thiago Vinholes)

O voo entre a Avenida Faria Lima e o Aeroporto de Congonhas é realizado em menos de 10 minutos (Thiago Vinholes)

O Airway utilizou o serviço da Voom no trecho entre o Hotel Blue Tree e o Aeroporto de Congonhas, solicitado por um smartphone para às 11h40 de uma terça-feira. A viagem, realizada a bordo de um helicóptero Robinson R44, custou R$ 276,00 e o voo durou menos de 10 minutos.

Um dos trechos mais pedidos da Voom, entre os aeroportos de Congonhas e Guarulhos, custa cerca de R$ 550,00, segundo a cotação do site, e o trajeto é realizado em 15 minutos – de carro ou em transporte público, esse deslocamento pode levar mais de duas horas. Já o voo entre o heliponto da Avenida Faria Lima e o Aeroporto Campo de Marte sai por R$ 300,00 e a viagem é realizada em menos de 10 minutos.

A diretora da empresa ainda adiantou que a Voom planeja incorporar mais helipontos a sua rede em São Paulo e se estabelecer em mais cidades no Brasil. “Também temos planos de lançar esse serviço no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, que também são cidades bem estruturadas para voos de helicóptero.”

A Voom também está de olho em outros países, mirando sempre cidades que têm problemas de mobilidade urbana. “A Cidade do México e Los Angeles são alguns do locais que a Voom deve estrear em breve. Outros exemplos onde a ideia pode dar certo é Jacarta, na Indonésia, e Manila, nas Filipinas”, adiantou Uma.

Projeto nasceu com ajuda do Uber

A fase “embrionária” da Voom foi o UberCopter, o serviço experimental de voos de helicópteros que foi oferecido pelo Uber em São Paulo, que contou com a participação técnica e logística da Airbus.

“Foi uma forma de avaliar se esse tipo de serviço, com preços mais baixos e uma nova forma de agendamento, seria viável em uma cidade como São Paulo. E foi. A Voom é a continuação desse projeto, mas agora de forma definitiva”, finalizou a CEO.

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