O centésimo A380 é entregue para a Emirates: companhia tem 46% da frota do jato da Airbus (Divulgação)

O primeiro voo comercial do Airbus A380 ocorreu em outubro de 2007, com a Singapore Airlines, mas o dia 1º de agosto de 2008 pode ser considerado a data em que o jato de dois andares garantiu seu futuro. Foi há 10 anos que a Emirates Airline estreou o voo Dubai-Nova York, o primeiro com o novo avião. Desde então, a empresa aérea do Oriente Médio praticamente tornou-se embaixadora do A380 no mundo não só possuindo hoje a maior frota do modelo como também impedindo que sua produção fosse encerrada prematuramente.

Atualmente, nada menos que 104 dos 228 A380 em operação no mundo está na frota da Emirates, ou seja, quase metade opera a partir da cidade dos Emirados Árabes Unidos. Segundo a companhia “o A380 transportou mais de 105 milhões de passageiros, percorrendo mais de 1,5 bilhão de quilômetros em 115.000 voos, o equivalente a 39.000 viagens ao redor do mundo”.



O A380 da Emirates hoje voa para quase todos os lugares do mundo, incluindo o Brasil onde estreou em 2017 no voo para São Paulo. Mas também é utilizado em rotas curtas como entre Dubai e Kuwait e também etapas de longa duração como na frequência para Auckland, na Nova Zelândia, rota mais distante do Airbus.

A associação entre o A380 e a Emirates é imensa hoje e deve aumentar com a nova encomenda que a companhia fez em fevereiro para mais 20 unidades e que garantiu a manutenção da linha de produção da aeronave, até então ameaçada de ser encerrada.

Mas o que torna o A380 tão vantajoso para a Emirates e dispensável para tantas companhias aéreas no mundo? Difícil encontrar uma razão apenas mas é claro que as características peculiares da Emirates tornam a operação do avião de dois andares viável, entre elas, a posição privilegiada de seu hub em Dubai, a meio caminho de vários destinos no mundo, a imagem de qualidade da empresa que acaba atraindo passageiros com poder aquisitivo maior, e também uma certa ajudinha do governo afinal a companhia é de propriedade da família real do país.

É verdade que suas rivais locais, Qatar e Etihad, não conseguiram repetir o mesmo feito da Emirates, o que demonstra que a companhia é mesmo um caso único – para a sorte da Airbus.

Wet-lease

Se na Emirates o A380 segue reinando imponente, a situação do Airbus não é boa no resto do mundo. A pioneira Singapore, por exemplo, já começou a devolver os primeiros exemplares recebidos que terão um destino cruel – serão desmontadas e suas peças, vendidas.

Felizmente, esse não foi o caso de uma das unidades da Singapore, que acabou alugada pela empresa de “wet-lease” (espécie de locação completa, com tripulação e serviços agregados) Hi Fly, de Portugal. A aeronave, pintada com desenhos de um coral de recifes, acaba de ser contratada para prestar serviços para a companhia Thomas Cook, da Dinamarca.

Talvez no futuro boa parte dos A380 se transforme em aviões voltados a voos charters, aproveitando sua imensa capacidade de passageiros e despertando a curiosidade das pessoas. Exceto na Emirates, onde parece que o quadrirreator ainda será sua estrela máxima por muito tempo.

Veja também: Airbus divulga primeira imagem de A380 da ANA

Ex-Singapore, o A380 foi alugado pela empresa portuguesa Hi Fly (Hi Fly)