A versão sueca do Gripen NG voou pela primeira vez em junho deste ano (SAAB)

A versão sueca do Gripen NG voou pela primeira vez em junho deste ano (SAAB)

O futuro caça da Força Aérea Brasileira (FAB), o Gripen NG, da Saab, está pronto para iniciar seu próximo grande período de testes, mas desta vez com armamentos. Falando durante o seminário anual sobre o Gripen, realizado pela fabricante sueca nessa quarta-feira (16), em Estocolmo, Jonas Hjelm, diretor da divisão aeronáutica da empresa sueca, confirmou os preparativos para a nova etapa e ressaltou que as primeiras aeronaves serão entregues até o final de 2019.

“Estamos nos preparando para a próxima fase de testes de voo, ou seja, de equipamentos externos”, disse Hjelm. “Estamos no caminho certo. Vamos entregar (as aeronaves) de acordo com os contratos que temos”, acrescentou o diretor da Saab.



A Saab tem 96 pedidos pelo Gripen NG (também chamado de Gripen E): 60 unidades para a força aérea da Suécia e mais 36 para a FAB, que serão produzidos em parceria com a Embraer e outras empresas brasileiras.

Na semana passada, em passagem pelo Brasil para a apresentação da fábrica da Saab Aeronáutica Montagens (SAM), em São Bernardo do Campo (SP), Hjelm já havia dito que a FAB deve receber todas as aeronaves entre 2019 e 2024. A nova unidade na Grande São Paulo, que tem participação da Akaer, de São José dos Campos (SP), vai produzir segmentos aeroestruturais do Gripen NG.

O Gripen NG voou pela primeira vez em 15 de junho de 2017 e cinco meses depois completou seu primeiro voo supersônico. O novo caça é projetado para voar a 2.200 km/h, mais de duas vezes a velocidade do som.

As armas do Gripen NG

A nova geração do Gripen poderá carregar uma grande variedade de mísseis, bombas e sensores de alta tecnologia para missões de defesa aérea ou ataque ao solo. São armamentos que podem alcançar alvos que vão muito além do alcance visual dos pilotos e com alta precisão.

A lista de armas sugeridas pela Saab para o caça contém alguns dos artefatos mais avançados do mundo, usados por forças armadas de grandes potências militares, como os EUA, Israel e a própria Suécia. No Brasil, o pacote inicial de armas para o Gripen NG também será interessante.

Em 2015, o site G1 publicou uma matéria com dados obtidos através da Lei de Acesso à Informação revelando um contrato da FAB avaliado em US$ 245,3 milhões (cerca de R$ 922,5 milhões) para a compra de um pacote de 70 equipamentos, entre mísseis, bombas e sensores para equipar os Gripen.

Por questões estratégicas, a força aérea na época ainda não comentava sobre a quantidade e os tipos de armamentos que serão utilizados pelo Gripen NG no Brasil. Passados três anos da reportagem, a Aeronáutica mantém a mesma posição.

Uma fonte da FAB consultada pelo Airway e que pediu para não ser identificada confirmou o contrato e que “os trabalhos estão em andamento”. Os primeiros equipamentos serão entregues a partir de 2019, junto com os primeiros caças.

A-Darter

Cotado para ser a principal arma do Gripen NG brasileiro, o míssil de interceptação aérea A-Darter está sendo desenvolvido por um consórcio de empresas do Brasil e África do Sul. As primeiras entregas estão programadas para 2019. Ao todo, a FAB vai receber 8 mísseis com capacidade operacional e 2 modelos de treinamento.

O míssil A-Darter é concebido para o combate "ar-ar"(Divulgação)

O míssil A-Darter é projeta para combates aéreos, com alcance de até 12 km (Divulgação)

O A-Darter é um míssil de curto alcance (12 km), projetado para combates aéreos próximos. O equipamento é orientado por um sensor infravermelho que “persegue” o calor gerado pelo avião inimigo. Não só isso, segundo a FAB, o míssil terá alta capacidade de manobra e poderá ignorar as contramedidas lançadas por aviões hostis.

Iris-T

Outro míssil de combate aéreo, desta vez de médio alcance (até 25 km), o Iris-T fabricado pela Diehl BGT Defence, da Alemanha, é uma importante arma de defesa em diversos países na Europa, em operação desde 2005 e com mais de 5.000 unidades produzidas.

O Iris-T é um míssil muito popular na Europa, com mais de 5 mil unidades produzidas ( (HaraF/Creative Commons)

O Iris-T é um míssil muito popular na Europa, com mais de 5 mil unidades produzidas
(HaraF/Creative Commons)

Como o A-Darter, o míssil alemão também é guiado por infravermelho e pode enganar contramedidas lançadas por aviões inimigos. Um ponto diferente do armamento é sua capacidade de poder trocar de alvo após o lançamento. O pacote do Iris-T para FAB contém 10 unidades operacionais e outros 20 modelos de treinamento.

Spice 1000

A arma mais poderosa e precisa do Gripen será a bomba Spice 1000, fabricada em Israel pela Rafael Advanced Defense Systems. O artefato é uma espécie de “bomba-planadora”, com pequenas asas que aumentam seu alcance, de até 100 km (dependendo da altitude em que é lançada).

A bomba Spice 1000 possui pequenas asas, que abrem após o lançamento (Bin im Garten/Creative Commons)

A bomba Spice 1000 possui pequenas asas, que abrem após o lançamento (Bin im Garten/Creative Commons)

A Spice 1000 é considerada uma das armas mais letais de Israel, com alto nível de precisão. O nome da bomba é uma referência ao seu peso, de 1.000 libras (450 kg). Depois de lançada do caça, o artefato pode ser guiado por GPS ou marcadores laser (em solo, de outras aeronaves ou do próprio caça), que “iluminam” o alvo.

A encomenda de Spice 1000 da FAB contém 20 unidades, todas com capacidade operacional.

Spice 250

A Spice 250, também fabricada pela Rafael, é uma espécie de miniatura da Spice 1000, com 250 libras (113 kg). Como sua irmã maior, a bomba também conta com pequenas asas e é orientada por laser e GPS. A encomenda prevista no contrato é de 30 bombas com capacidade operacional.

Caças podem levar até quatro bombas Spice 250 e cada cabide de armamentos (Poder Aéreo)

Caças podem levar até quatro bombas Spice 250 em cada cabide de armamentos (Poder Aéreo)

As bombas da série Spice já foram certificadas pela Rafael para equipar caças como os F-15 e F-16 de Israel e outros jatos como o Mirage 2000, Panavia Tornado e versões anteriores do Gripen (C/D). O Brasil será o primeiro cliente estrangeiro das bombas israelenses.

Litening G4

Essencial para o lançamento de armamentos do Gripen, o “pod” Litening G4 é um casulo com um potente sensor infravermelho para busca de alvos no ar e em solo, especialmente em missões noturnas. O equipamento é fabricado pela israelense Rafael a Northrop Grumman, dos EUA.

O pod Litening é um importante equipamento para a marcação de alvos e missões de vigilância (Poder Aéreo)

O pod Litening é um importante equipamento para a marcação de alvos e missões de vigilância (Poder Aéreo)

A FAB encomendou 10 desses equipamentos. Os pods Litening podem ser utilizados por uma grande variadade de aeronaves, desde o bombardeiro B-52 até caças como o F/A-18 e o Gripen. O Brasil já utiliza uma versão anterior do casulo nos caças A-1.

Reccelite

Outro produto da Rafael Systems, o pod Reccelite é um equipamento para missões de reconhecimento com uma série de sensores e câmeras usados para a marcar alvos e mapeamento de alta resolução de terrenos com transmissão em tempo real para bases de comando.

O Reccelite é operado por caças de forças aéreas de países como Israel, Espanha e Afeganistão. O pedido da FAB contém 4 unidades.

Nota do editor: outra arma do Gripen NG do Brasil será o canhão de 27 mm Rheinmetall BK27, fabricado na Alemanha.

Veja mais: Saab apresenta fábrica de estruturas do Gripen no Brasil