O primeiro Tu-160M2 foi construído a partir de um modelo incompleto armazenado nos anos 1990 (UAC)

O primeiro Tu-160M2 foi construído a partir de um modelo incompleto armazenado nos anos 1990 (UAC)

O “gigante acordou”. Após um longo período de inatividade, a fábrica de Kazan, no interior da Rússia, completou o primeiro Tu-160M2. Estamos falando do maior e mais poderoso bombardeiro criado no país, ainda nos tempos da União Soviética. O roll-out ocorreu no dia 16 de novembro quando o imenso avião de mais de 54 metros de comprimento e asas de enflechamento variável foi revelado aos presentes ainda sem sua pintura final.

Conhecido durante a Guerra Fria como “Blackjack” no Ocidente, o jato supersônico criado pela Tupolev ganhou um apelido mais gracioso de seus pilotos, “Cisne Branco”, graças às suas linhas suaves, a cor branca e longo bico. Uma descrição que não combina com sua letalidade.



Surgido na década de 80, um Tu-160 foi uma espécie de resposta aos Estados Unidos que preparavam anos antes o bombardeiro B-1, mas este quando entrou em operação era uma aeronave diferente do projeto original: em vez de bombardeiro de altitude ele se tornou um avião de ataque em baixa altitude. Os russos, porém, mantiveram o “Blackjack” como um avião de ataque à longa distância com armamento nuclear ou convencional.

A carreira em serviço, no entanto, revelou-se um desastre. Embora tenha voado pela primeira vez em dezembro de 1981, o Tupolev só passou a ser operacional em 1987 e em número muito pequeno, de cerca de duas dezenas de unidades.

Com o fim da União Soviética em 1991, os Tu-160 estacionados na Ucrânia acabaram no solo e sem condições de voo. Russos e ucranianos passaram a negociar a venda dos exemplares, porém, a intransigência entre eles acabou transformando um exemplar em sucata.

Apenas em 1999, a Rússia voltou a tentar trazer de volta alguns Tu-160, desta vez com sucesso. Oito unidades foram compradas, que se somaram a algumas remanescentes na força aérea a um bombardeiro incompleto que se encontrava em Kazan. Com a finalização de outras fuselagens incompletas, a Rússia passou a contar com cerca de 16 unidades no final da década passada – um dos aviões se acidentou anos antes.

Carreira refeita

A Rússia, que havia desistido de manter uma força estratégica logo após o fim do período comunista, voltou a ativar a divisão em 2007 e o Tu-160 foi a base desse grupo. Com seu imenso alcance (de mais de 12 mil km), velocidade Mach 2 e asas com enflechamento variável, o Tu-160 passou a ser um vetor importante em conflitos em que a Rússia manteve nos últimos anos como nos ataques a grupos que querem derrubar o presidente da Síria, Bashar al-Assad.

Agora o governo Putin quer ampliar esse poder com a versão modernizada do “Blackjack”, justamente o avião revelado há algumas semanas. As novidades não são visíveis mas importantes: uma versão mais eficiente do turbofan Kuznetsov NK-32 e um novo conjunto de aviônicos. Para isso, a fábrica de Kazan está sendo modernizada a fim de repotencializar os bombardeiros em serviço e completar outras unidades até que o novo bombardeiro estratégico russo comece a ser produzido, o PAK-DA.

O novo Tu-160M2 deve voar em fevereiro de 2018 e se juntar aos seus “irmãos” em 2019 inaugurando uma nova fase na conturbada história do “Cisne Branco”.

Veja também: Rússia retoma produção do bombardeiro Tu-160

Ilustração do suposto PAK-DA: sucessor do Tu-160 deverá ser um avião com capacidade furtiva (Josef Gatial)