O Tu-160M2 decola para seu primeiro voo: há quem diga que ele é uma versão antiga do bombardeiro apenas (UAC)

O presidente Donald Trump adora vociferar contra outros países não alinhados aos Estados Unidos. Embora a relação com os russos seja dúbia, como persistem os rumores de envolvimento desses nas eleições americanas, fato é que Vladimir Putin acaba de dar “dez novos motivos” para que a Rússia seja razão de preocupação para o republicano. O Ministério da Defesa russo anunciou há poucos dias a encomenda de 10 unidades do bombardeiro Tu-160M2, versão modernizada do gigante de asas de enflechamento variável da Tupolev.

Surgido ainda durante a Guerra Fria, o Tu-160 foi à sua época o maior bombardeiro nuclear em atividade. Porém, com o fim da União Soviética, poucas unidades acabaram sendo mantidas ativas na força aérea da Rússia. Agora, o governo do país resolveu atualizar o jato supersônico com um novo pacote de aviônicos, motores mais potentes e econômicos e que prometem fazer o bombardeiro, conhecido no país como “Cisne Branco”, voar mais longe.


No mesmo dia em que revelou o negócio de US$ 2,7 bilhões, o primeiro exemplar do Tu-160M2 voou em Kazan, com a presença de Putin na plateia (veja vídeo abaixo). No entanto, há quem diga que o exemplar não era exatamente um Tu-160M2 e sim uma versão antiga do modelo com alguns equipamentos novos. Aliás, os russos garantem que o avião será praticamente novo, restando apenas a fuselagem original, mas rumores na Europa apontam para o contrário, que o Tupolev terá poucas novidades na realidade. O motor seria um dos problemas. Os russos trabalham em um novo turbofan, o Kuznetsov NK-32-2, mas ainda não teriam atingido um estágio capaz de prover confiabilidade para ele.

A ideia da força aérea é modernizar a frota atual de cerca de 16 unidades que estão em serviço, mas também fabricar novos aviões – estima-se uma encomenda total de 50 exemplares, incluindo aí os dez que acabam de ser comprados. O primeiro deverá ser entregue em 2023 e o último deles, em 2027. Assim, haverá fôlego ao projeto do inédito bombardeiro stealth russo, PAK DA, este sim o primeiro avião do gênero a sair do papel após o fim da Guerra Fria. Até lá, quem sabe, Trump já nem esteja mais sentado no Salão Oval.

Carreira conturbada


Surgido na década de 80, um Tu-160 foi uma espécie de resposta aos Estados Unidos que preparavam anos antes o bombardeiro B-1, mas este quando entrou em operação era uma aeronave diferente do projeto original: em vez de bombardeiro de altitude ele se tornou um avião de ataque em baixa altitude. Os russos, porém, mantiveram o “Blackjack” como um avião de ataque à longa distância com armamento nuclear ou convencional.

A carreira em serviço, no entanto, revelou-se um desastre. Embora tenha voado pela primeira vez em dezembro de 1981, o Tupolev só passou a ser operacional em 1987 e em número muito pequeno, de cerca de duas dezenas de unidades.

Com o fim da União Soviética em 1991, os Tu-160 estacionados na Ucrânia acabaram no solo e sem condições de voo. Russos e ucranianos passaram a negociar a venda dos exemplares, porém, a intransigência entre eles acabou transformando um exemplar em sucata.

Apenas em 1999, a Rússia voltou a tentar trazer de volta alguns Tu-160, desta vez com sucesso. Oito unidades foram compradas, que se somaram a algumas remanescentes na força aérea a um bombardeiro incompleto que se encontrava em Kazan. Com a finalização de outras fuselagens incompletas, a Rússia passou a contar com cerca de 16 unidades no final da década passada – um dos aviões se acidentou anos antes.

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As enormes asas enflecháveis do Tu-160 (UAC)