O jato japonês SpaceJet M90: programa já está no 12º ano sem que exista uma previsão segura de entrada em operação (Mitsubishi)

Mais uma notícia ruim para o programa SpaceJet, da Mitsubishi Aircraft. A fabricante anunciou nesta quinta-feira (31) que a empresa Trans States Holding, dona de três companhias aéreas, cancelou um contrato de compra de 100 jatos M90, dos quais 50 unidades eram pedidos firmes.

A razão alegada para o fim do negócio envolve o fato de o M90 não atender a cláusula de escopo acertada entre os sindicatos de pilotos das três grandes companhias aéreas dos EUA – seu peso de decolagem e capacidade de passageiros ultrapassam o teto estabelecido pelo acordo.


“A TSH tem sido uma parceira de longa data de nosso programa de aeronaves e esperamos continuar as discussões sobre uma possível encomenda do SpaceJet M100”, disse o presidente da Mitsubishi Aircraft Corporation, Hisakazu Mizutani, citando a nova versão lançada pela empresa com até 76 assentos.

“Quando estabelecemos nosso contrato com a TSH, as perspectivas para o mercado regional eram muito diferentes. A cláusula de escopo não foi revista como prevíamos”, admitiu o CEO.

A Trans States foi a segunda cliente a fechar negócio com a Mitsubishi, dez anos atrás. Suas três companhias regionais, a GoJet Airlines, Compass Airlines e Trans States Airlines prestam serviço para a American, United e Delta com uma frota de jatos CRJ700, ERJ-145 e E175.

O grupo também fechou um pedido semelhante pelo E175-E2, da Embraer, em 2014, porém, o negócio foi colocado em suspenso já que o jato brasileiro também não se enquadra na cláusula de escopo.

Três protótipos do M90, antigo MRJ90: certificação é esperada para 2020 (MA)

Mais atrasos

O desenvolvimento do programa SpaceJet, antigo MRJ, está extremamente atrasado. Lançado em 2008 com uma encomenda caseira da All Nippon Airways, o jato japonês deveria ter entrado em serviço em 2013, mas ainda está na fase de testes para certificação da versão M90, antiga MRJ90, com 88 lugares.

A expectativa da Mitsubishi é entregar os primeiros aviões para a ANA em 2020, doze anos após o contrato ter sido fechado. A versão M100 tem previsão ainda mais distante: é esperada para 2023 apenas.

Projeção do E175-E2 da Trans States Holding: companhia também encomendou o jato brasileiro que não atende a cláusula de escopo dos EUA (Embraer)

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