A Cessna iniciou a montagem dos primeiros protótipos do SkyCourier

Em tempos em que surgem novos projetos de aeronaves com propostas inusitadas, a tradicional fabricante americana Cessna trabalha em dois novos aviões que têm como principal característica seguirem receitas conhecidas. O bimotor SkyCourier e o monomotor Denali, previstos para voar ainda neste ano, entraram na fase final de montagem de protótipos, revelou a fabricante na semana passada.

Dos dois modelos, o SkyCourier é o que mais chama a atenção. Trata-se de uma espécie de releitura do monomotor Caravan com dois motores turbo-hélices. Para quem não se lembra, o versátil monomotor surgiu na década de 80 com uma receita infalível e robusta: asas altas, trem de pouso “duro” (que não recolhia), bom espaço interno e o extremamente confiável motor PT-6. Foi um imediato sucesso tanto como avião de carga quanto para o transporte de passageiros, entre outras funções.


Por isso até se estranha que a Cessna tenha demorou tanto para ampliar essa fórmula em uma aeronave de maiores dimensões, justamente o SkyCourier, lançado no final de 2017 já com uma encomenda de 100 unidades feita pela companhia cargueira Fedex – 50 firmes e 50 opções.

A Fedex é a cliente lançadora do SkyCourier (Cessna)

Mas o que é afinal o SkyCourier? Basta uma rápida olhada na imagem no alto deste artigo para perceber que o avião da Cessna repete a fórmula do Caravan: asas altas, trem de pouso fixo e, claro, os PT-6A como motores padrão. As diferenças estão na cauda em T e no fato de o SkyCourier possuir uma fuselagem bem mais larga, capaz de acomodar uma fileira de três assentos na versão de passageiros (até 19 lugares) ou três containers do padrão LD3 na versão cargueira.

O desempenho prometido é também bastante semelhante ao Caravan. A velocidade de cruzeiro será de 370 km/h (contra 361 km/h do Caravan) e o alcance máximo, de 1.667 km, um pouco inferior ao monomotor.

A cabine de passageiros do SkyCourier: capacidade para 19 lugares

Sem rivais


Com o SkyCourier, a Cessna espera explorar um segmento que hoje não possui concorrentes de peso, apenas aviões antigos ou de fabricantes sem tradição.

“Estamos construindo esta aeronave com a flexibilidade e a confiabilidade necessárias para uma variedade de operações de alta utilização, incluindo carga, passageiros ou missões especiais, e estamos empolgados com o fato de os clientes e o mercado estarem respondendo positivamente às suas capacidades”, afirmou Chris Hearne, vice-presidente de engenharia da Cessna.

Se o SkyCourier parece ser uma oportunidade nova para a Cessna, o Denali está mais para uma resposta tardia da empresa. O monomotor executivo chegará ao mercado para concorrer com modelos já conhecidos como o Pilatus PC-12 e o Daher TBM.

As primeiras fuselagens do Denali (Cessna)

Ao contrário do SkyCourier, o Denali terá a cabine pressurizada e será capaz de voar a uma altitude de 31.000 pés (9.500 metros). A velocidade máxima projetada é de 519 km/h graças ao sistema de propulsão que conta com hélices de cinco pás construídas com material composto e o novo motor turbo-hélice Catalyst, da GE, que tem 1.240 shp de potência. O Denali poderá levar até 11 passageiros ou quatro ocupantes a uma distância de quase 3.000 km.

A expectativa é que ambos entrem em serviço em 2020, embora essa previsão pareça um tanto otimista no atual estágio. Seja como for, a Cessna certamente terá duas aeronaves em seu portfólio que podem fazer diferença nas vendas.

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O Cessna Denali: rival tardio para o PC-12 suíço (Cessna)

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