Conceito de avião com propulsão híbrida (Faradair)

A Embraer não lançará um novo turbo-hélice no Paris Air Show nem está próxima de uma decisão sobre esse novo avião, afirmou John Slattery, presidente e CEO da divisão comercial da Embraer nesta segunda-feira (27), na sede da empresa em São José dos Campos.

O executivo falou com jornalistas do setor nesta manhã e negou que a fabricante tenha avançado no projeto de voltar a competir no segmento de turbo-hélices regionais, hoje dominado pelos modelos ATR e Q400.


“Continuamos a estudar o mercado, mas não estamos nem perto de lançar um novo programa”, afirmou Slattery. Entre as razões para isso estão a demanda para o segmento, de no máximo 2.500 aviões nos próximos 20 anos, mas também a possibilidade de novas tecnologias ainda em estágio inicial possam mudar completamente a realidade da aviação dentro de alguns anos.

Entre as mais promissoras está a propulsão híbrida. Atualmente, existem vários projetos de aeronaves que utilizam motores elétricos prometendo economia e um bom desempenho, mas por enquanto em pequenos modelos.

Para ser viável em aviões maiores, capazes de transportar de 60 a 90 passageiros, como a Embraer tem estudado, seria preciso que as baterias evoluíssem em peso (menor) e durabilidade (maior). Slattery, no entanto, acredita que vale a pena considerar a tecnologia antes de tomar uma decisão sobre a hipótetica aeronave.

O EMB-120 Brasília foi produzido entre 1983 e 2001; ao todo foram fabricadas 354 unidades (Embraer)

O EMB-120 Brasília foi produzido entre 1983 e 2001; ao todo foram fabricadas 354 unidades (Embraer)

De volta às origens


Se um dia lançar um novo turbo-hélice, a Embraer terá voltado às suas origens. A empresa brasileira tornou-se conhecida justamente por oferecer o Bandeirante, uma aeronave propulsionada por dois motores turbo-hélices PT-6 e criada originalmente para a Força Aérea Brasileira, como alternativa de transporte aéreo econômico numa época em que a aviação regional estava em decadência com o envelhecimento dos aviões a pistão.

Na década de 80, o Brasilia foi sua primeira aeronave desenvolvida especificamente para o mercado regional. Com 30 assentos, o turbo-hélice brasileiro era veloz e versátil, mas enfrentou uma concorrência acirrada e acabou tendo apenas 354 unidades produzidas.

Pouco antes de ter a produção encerrada, o Brasilia deu lugar o ERJ-145, primeiro jato regional da Embraer e que foi o ponto de partida para as novas famílias E-Jet da companhia.

This article in English.

A 1.500° aeronave da ATR, um modelo ATR 72-600, foi entregue a Japan Air Commuter (ATR)

Contemporâneo do Brasilia, ATR permaneceu como principal turbo-hélice regional do mercado (ATR)

Veja também: China inicia produção de turbo-hélice comercial MA700