Boeing 797: novo jato pode agradar companhias de baixo custo (Fly Away)

Pioneirismo é sempre um fardo muito pesado para alguns fabricantes, mesmo para os gigantes como a Boeing. A fabricante americana chegou à Farnborough, principal feira aerospacial de 2018, sem muitas definições a respeito do NMA (New Midsize Airplane), novo jato que deve ocupar o nicho entre o 737 e o 787 e que já é chamado informalmente de 797.

Para os mais otimistas, acreditava-se que o novo avião seria lançado na feira inglesa mas a empresa confirmou que a decisão deverá ser tomada apenas em 2019. No entanto, o que surgiu nos bastidores do evento é um tanto decepcionante. A Boeing está em dúvida em relação a vários aspectos do NMA, entre eles, o formato da fuselagem, sua composição e até mesmo sobre o potencial comercial da aeronave.


Talvez a maior surpresa negativa seja o fato de uma fuselagem de materiais compostos já estar sendo colocada em dúvida. O custo para desenvolver uma estrutura desse tipo é alto, o que colocaria o projeto num valor muito alto do que o pretendido. Por isso, comenta-se que a empresa estaria pensando em projetar o jato com uma fuselagem convencional, de alumínio.

Mas as incertezas são bem mais amplas a começar pelo perfil do avião. Há companhias como a americana Delta que preferem um jato com grande capacidade de passageiros, já outras que consideram um aparelho mais versátil, capaz de levar uma boa quantidade de carga em seus porões. Ou seja, o desafio é criar uma nova classe de avião comercial que seja capaz de fazer mais do que um A321neo, mas que não concorra com um 787-8, por exemplo.

Diante dessas variáveis até mesmo o potencial mercado é um mistério. A Boeing acredita em pelo menos 4 mil aviões, mas há quem pense que não existe mais que 2.500 unidades como demanda.

Com tantas dúvidas, o período de maturação do projeto deve ser mais longo – a empresa já estuda o NMA desde 2012 -, o que significa afirmar que o horizonte de 2025 pode já não ser palpável, o que a Boeing nega. Uma das dificuldades estaria no desenvolvimento dos motores para ele, etapa crucial para se obter o desempenho prometido num projeto tão complexo.


Enquanto isso, Boeing e Airbus vão testar o 737 MAX 10 e A321neo como solução para clientes que precisam de um jato com boa capacidade e alcance.

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