(Embraer)

A FAB encomendou 28 jatos KC-390 para substituir os antigos C-130 Hercules (Embraer)

O primeiro avião de transporte multimissão Embraer KC-390 de série realizou nesta quarta-feira (10) seu voo inaugural em Gavião Peixoto (SP). A aeronave, diferentemente dos protótipos, agora é o que pode se chamar de versão final do projeto. Apesar de já estar concluído, o modelo ainda não será entregue para a Força Aérea Brasileira (FAB).

Conforme acordado em julho deste ano com a Força Aérea Brasileira (FAB), o primeiro KC-390 de série será utilizado pela Embraer na fase final da campanha de testes de voo. Em maio deste ano a equipe do projeto ficou desfalcada de uma aeronave após o incidente com o protótipo 001. Segundo a fabricante, as aeronaves já registraram mais de 1.900 horas de voo desde 2015.



O próximo passo no projeto é obter a certificação civil da aeronave básica da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), o que segundo a Embraer será alcançado em breve. A primeira entrega para a FAB é programada para 2019-  a Aeronáutica vai receber 28 aeronaves em cerca de 12 anos.

O próximo cliente do KC-390 deve ser Portugal, que ainda negocia os últimos detalhes do contrato. O país também é um dos parceiros estratégicos no projeto, fornecendo uma série de componentes para a aeronave – por meio de subsidiárias da Embraer em Portugal.

“Hoje celebramos outro marco importante na produção do KC-390”, disse Jackson Schneider, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. “Esta aeronave combina excelente flexibilidade com desempenho e produtividade superiores”.

Peso pesado brasileiro

O KC-390 é o avião mais pesado já produzido no Brasil. O cargueiro multimissão da Embraer pode decolar com peso máximo de 81 toneladas, algo equivalente a 25 turbo-hélices Tucanos na balança. O avião foi projetado para ser a principal aeronave de transporte da Força Aérea Brasileira e substituir os veteranos C-130 Hercules, que voam no Brasil desde 1964.

Uma série de componentes do KC-390 são produzidos em Portugal, pela Embraer e a OGMA (FAB)

Uma série de componentes do KC-390 são produzidos em Portugal, pela Embraer e a OGMA (FAB)

Com a proposta de substituir os Hercules, o KC-390 foi desenvolvido para cumprir as mesmas missões do antigo turbo-hélice da Lockheed Martin, mas com praticamente o dobro da velocidade (até 850 km/h) e mais carga, com capacidade máxima de 26 toneladas (6 ton a mais que o Hercules). E a lista de tarefas da aeronave é enorme.

Além do transporte de equipamentos e tropas, o cargueiro militar da Embraer pode lançar cargas e paraquedistas, reabastecer outras aeronaves em voo (e também ser reabastecido), realizar missões de busca e salvamento com equipamentos especiais, combate a incêndios florestais e até voos para Antártica. Há inclusive um estudo para converter o KC-390 em “Gunship” (canhoneira aérea), uma aeronave de ataque com poder devastador.

Cada unidade do KC-390 é avaliada em cerca de US$ 85 milhões (cerca de 319,3 milhões). Além de suprir as necessidades da FAB, a Embraer acredita que o novo jato militar também pode ser uma das principais opções do mercado no segmento de cargueiros militares médios nos próximos 20 anos, substituindo antigas frotas de Hercules pelo mundo.

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