A220 da Delta: encomenda foi um duro golpe para a Boeing (Delta)

Motivo de disputa comercial entre a Boeing e a Bombardier e hoje a principal pedra no sapato da Embraer, o jato A220-100, agora da Airbus, surgiu com as cores da Delta Airlines na semana passada. A primeira unidade da aeronave havia acabado de passar pela pintura revelando o visual da companhia aérea norte-americana.

Com capacidade para até 110 assentos, o A220 foi renomeado em julho quando a Airbus assumiu a família de jatos CSeries da Bombardier – até então ele era chamado de CS100. Trata-se da versão menor do birreator e que também conta com o irmão A220-300 (ex-CS300). A Delta será a primeira companhia dos Estados Unidos a operar o jato, não sem que houvesse uma dura disputa na justiça americana movida pela Boeing, que tentava emplacar o 737-700 na encomenda de 75 unidades mais 50 opções de compra.


Como é comum nesses casos, a Boeing acusou a Bombardier de receber subsídios do governo canadense para vender o então CS100 por um preço mais vantajoso que o 737 – o valor oficial hoje do A220 é de US$ 81 milhões contra US$ 85,8 milhões do avião americano, mas nessas negociações certamente esses números são reduzidos.

Para azar da Boeing, a comissão de comércio internacional dos Estados Unidos votou de forma unânime em favor da Bombardier. A Delta deverá receber os primeiros A220 este ano mas só os colocará em serviço no início de 2019.

O Airbus A220 da Delta recebendo sua pintura (Delta)

Fator decisivo

Embora não esteja evidente, a derrota da Boeing na disputa com a Bombardier certamente foi um dos fatores que pesaram na decisão de se unir à Embraer, anunciada neste ano. Pouco tempo depois da decisão da justiça americana, a Airbus, num passo surpreendente, anunciou a compra da família de jatos canadense, uma real ameaça a seus aviões também.

O resultado é o que hoje vemos: a Airbus conseguiu numa tacada eliminar um concorrente e completar seu portfólio com dois aviões cujas características eram inéditas em sua linha. Para a Boeing, isso era a certeza de perder importantes encomendas sobretudo nos Estados Unidos, o maior mercado de aviação comercial do mundo. A associação com a Embraer, caso seja aprovada, dará à gigante americana “armas” para se manter competitiva em relação à sua concorrente européia.

Para a Embraer é também um possível reforço no jogo afinal a nova família E2, embora com um bom volume de vendas, ainda não convenceu nenhum cliente de porte nos Estados Unidos – a fabricante brasileira, em vez disso, tem fechado encomendas da família original como os 125 E175 vendidos para a Republic e United durante a feira internacional de Farnborough, em julho passado.

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