O Brasília estacionado em Monte Verde serviu na aviação comercial até 2010 (Viviê Pousada)

O destino de aviões aposentados é quase sempre o mesmo: acabam desmontados, picados e vendidos como sucata. Um antigo turbo-hélice Embraer Brasília, porém, teve um final de carreira mais glorioso. Ou melhor, um recomeço. A aeronave que serviu em voos comerciais nos EUA e no Brasil foi transformada em quarto de hotel e atualmente é uma das acomodações mais disputadas de Monte Verde (MG).

A hospedagem em questão é o “chalé” Aero Flyer da Viviê Pousada, hoje mais conhecida na região como a “Pousada do Avião”. O clássico Brasília é uma das partes da luxuosa acomodação de 172 m², que ainda conta com uma réplica de torre de controle de aeroporto.


“Já recebemos muitos entusiastas de aviação no Aero Flyer, mas eles não são a maioria. Quem vem aqui quer surpreender o parceiro. É comum recebemos casais em lua-de-mel que buscam algo diferente. O local também é muito tranquilo, cercado pela natureza”, contou Marcel Pinto de Oliveira, gerente e dono da pousada em Monte Verde, em entrevista ao Airway.

Única hospedagem desse tipo em todo o Brasil, a pousada inaugurou o “chalé aeronáutico” em 2016 e vem fazendo certo sucesso. O avião é hoje um dos pontos turísticos do charmoso distrito na Serra da Mantiqueira. “Sempre tem alguém fotografando o avião.”, revela Oliveira, que abriu a pousada em 2009.

O avião pode ser visto pelo lado de fora da pousada, que virou ponto frequente dos passeios de jipes por Monte Verde. Pela cidade é só perguntar pela pousada do avião que todos sabem apontar o caminho.

O proprietário da pousada afirma que investiu cerca de R$ 500 mil para construir a acomodação com o avião. “Por esse mesmo valor daria para construir até 10 chalés, mas preferi criar algo diferente e exclusivo.”

O interior do Brasília que antes embarcava 39 passageiros virou uma sala de estar (Viviê Pousada)

“Comprei o avião da companhia Ocean Air (que depois virou a Avianca Brasil). Ele havia sido condenado pela ANAC e portando não podia mais voar. Para trazer ele até aqui foram necessárias duas carretas, uma para transportar a fuselagem e outra para as asas. Já para colocar o Brasília no terreno tivemos a ajuda de um guindaste que podia erguer 100 toneladas”, explicou Oliveira.

O Brasília  hoje “aterrado” em Monte Verde terminou sua carreira na aviação comercial com o prefixo PR-OAN. A aeronave foi fabricada pela Embraer em 1987 e seu primeiro operador foi a companhia aérea Atlantic Southeast Airlines, que por sinal foi o cliente de lançamento do turbo-hélice da Embraer. O avião retornou ao Brasil em 2003, onde ainda voou com a Ocean Air, America Air e a Passaredo até ser aposentado em 2010.

A Passaredo foi uma das empresas que voou com o PR-OAN antes do avião ser transformado em chalé (Aeroprints/Creative Commons)

“Era um avião com capacidade para transportar 39 passageiros. Hoje ele é a sala de estar do chalé, com sofá e uma mesa de jantar. Também reformamos o cockpit, a galley e o toalete da cabine”, disse o gerente da pousada.

Outro atrativo a bordo da aeronave é um simulador de voo instalado na cabine de comando. “Um lado do cockpit mantém os equipamentos de controle e mostradores originais do Brasília e o outro tem é um simulador de voo, com uma tela de 14 polegadas, manche e manete de aceleração. O pessoal que vem aqui se diverte”, diz Oliveira.

O cockpit do avião mantém equipamentos originais e conta com um simulador de voo (Viviê Pousada)

A torre de controle de três andares e toda envidraçada é a suíte do chalé. O primeiro andar é o quarto, com cama de casal, ambiente de descanso com televisão e luzes no chão e no teto. Subindo uma escada giratória os hospedes chegam no banheiro, com ducha dupla, hidromassagem e luzes de cromoterapia. Já o último piso é um terraço.

“Todos os ambientes têm vista panorâmica para a mata e o avião. Também usamos partes do Brasília para montar a decoração. O quarto tem um conjunto de bancos de passageiros reformado e usamos uma porta de emergência da cabine para criar uma mesa”, conta Oliveira.

Para completar a experiência, a pousada disponibiliza uniformes de comandante e comissária de bordo para os hóspedes.

O chalé Aero Flyer não aceita o “embarque” de crianças menores de 16 anos, avisa o site da pousada. O quarto também pode ser preparado para receber até quatro pessoas.

As diárias na “Pousada do Avião” em Monte Verde custam R$ 990 na baixa temporada e durante alta, no inverno, o preço sobe para R$ 1.990.

Para mais informações acesse o site da Viviê Pousada.

Nota do editor: Para quem acha que Monte Verde não tem nenhuma relação com aviação aqui vai um fato interessante: o distrito no município de Camanducaia possuí o aeródromo mais elevado do Brasil, posicionado a 1.555 metros do nível do mar.

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