Pé no freio! Boeing 747 com os flaps totalmente estendido em aproximação para pouso (Domínio Público)

Pé no freio! Boeing 747 com os flaps totalmente estendidos em aproximação para pouso (Domínio Público)

Os flaps são uma das partes móveis mais evidentes de uma aeronave, especialmente em jatos comerciais com complexos mecanismos. Quem viaja em assentos posicionados atrás das asas pode observar durante o voo todo o funcionamento dessa parte do avião e até mesmo sentir os efeitos que causam no controle da aeronave. Mas afinal, para que serve o flap?

Por definição, os flaps são “superfícies hipersustentadoras”. É como uma extensão das asas para proporcionar maior sustentação a aeronave, sobretudo em velocidades mais baixas. Por isso é um item essencial durante a aproximação para pousos e também nas decolagens.


“O objetivo dos flaps é aumentar a sustentação da aeronave ou promover diminuição na sua velocidade, dependendo da posição como são acionados”, explicou Alberto Correnti, diretor de Operações da companhia aérea Gol, ao Airway.

Os flaps são instalados na parte de trás da asa, chamada “bordo de fuga”, e ficam embutidos nas asas durante o voo de cruzeiro. Quando acionado, pode ser estendido com diferentes ângulos, oferecendo maior sustentação ou ajudando a reduzir a velocidade da aeronave, ou as duas funções ao mesmo tempo.

Acione os flaps!

No momento da decolagem, o avião se posiciona na cabeceira da pista com os flaps parcialmente estendidos, em posição que aumenta a área da asa e sua capacidade de sustentação.


“Durante a corrida para a decolagem a velocidade atingida ainda é baixa, por isso é necessário que os flaps fiquem estendidos para que a aeronave deixe o solo em segurança”, comenta Correnti. Depois que deixa o solo e inicia sua subida para o voo de cruzeiro, o avião vai ganhando mais sustentação conforme acelera e logo o comandante pode recolher os flaps.

Boeing 737 da Gol com flaps abaixados antes do pouso (Gol)

Boeing 737 da Gol com flaps abaixados antes do pouso (GOL)

“No voo de cruzeiro, os flaps ficam totalmente recolhidos e embutidos na asas, pois a alta velocidade da aeronave já produz na asa o efeito de sustentação que ela precisa para se manter em voo nivelado”, esclarece o diretor da Gol. No momento em que os flaps são os recolhidos, o passageiro pode sentir um leve balanço, como se o avião fosse para baixo, e logo depois nivela, ao mesmo tempo em que os motores aceleram em plena potência.

Freio aerodinâmico

O outro momento importante dos flaps é durante a aproximação para o pouso. Além de reduzir a potência dos motores, as superfícies hipersustentadoras atuam como freios aerodinâmicos e ao mesmo tempo adequam a sustentação da asa a velocidade mais baixa. Na cabine, os ocupantes conseguem sentir a desaceleração empurrando o corpo para frente.

Os flaps de um Boeing 757 estendidos para reduzir a velocidade (Domínio Público)

Os flaps de um Boeing 757 estendidos para reduzir a velocidade (Domínio Público)

“No pouso, os flaps são estendidos ao máximo ou próximo disso. Esse posicionamento ‘alonga’ a asa e produz uma angulação na sua parte traseira, promovendo dois efeitos: aumento de sustentação e aumento de arrasto, o que provoca diminuição de velocidade e variação de altitude controlada”, explica Correnti.

Além da ajuda dos flaps, durante a frenagem após o toque na pista, aviões com motores a jato também reduzem a velocidade acionando os reversores (que invertem o fluxo dos motores), os freios das rodas do trem de pouso e levantam os spoilers aerodinâmicos na parte superior das asas, criando ainda mais arrasto para a desaceleração em solo.

E se o flap não funcionar?

Antes de obter sua certificação, um avião comercial precisa provar que é capaz de enfrentar uma série de situações critícas por questões de panes nos sistemas de voo. A mais conhecida, embora rara de acontecer, é a capacidade de aeronaves bimotores poderem voar com apenas um motor. No caso de falha nos flaps, também existe um protocolo de ações de segurança.

Um avião consegue pousar com segurança sem auxílio dos flaps, mas isso leva a algumas mudanças nos procedimentos de voo. “Sem os flaps, o avião terá de pousar com uma velocidade acima do que normalmente se espera, o que restringe o pouso em pista curtas, como pode ser o caso dos aeroportos de Congonhas (SP) e o Santos Dumont (RJ)”, exemplifica o diretor Gol.

Devido a importância dessa parte da aeronave, o cuidado com os flaps é constante e meticuloso. Como explicou Correnti, o flap vai além das superfícies em si: “O sistema contém engrenagens, rolamentos, transmissões mecânicas, entre outros componentes. “Essas peças precisam está livres de corrosão e serem devidamente limpas e lubrificadas com frequência para evitar emperramentos”.

Falhas no acionamento dos flaps são raríssimas de acontecer, mas de qualquer forma os aviões e os pilotos, que treinam essa situação em simuladores, estão preparados. Nesse tipo de incidente, a principal consequência para o passageiro pode ser o desembarque em um aeroporto alternado, além do pouso mais rápido e possivelmente com uma frenagem mais forte que o habitual.

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