(Goodyear)

Comercial radical: Arthur Zanella é praticante de Swoop, a “Fórmula 1” do paraquedismo (Goodyear)

Logo cedo, às nove horas da manhã, no calor escaldante de uma pista de automobilismo em Tuiuti (SP), Arthur Zanella dobra cuidadosamente seu paraquedas, como já fez outras mais de cinco mil vezes nos últimos 11 anos. Ele foi chamado pela fabricante de pneus Goodyear para gravar um comercial. Seu papel na campanha é saltar de um helicóptero e pousar no banco de passageiro de um carro conversível, em movimento.

Zanella já saltou de aviões de diversos tipos, helicópteros, balões, de antenas e prédios, como o Edifício Itália, em São Paulo (SP). “Não é inédito pousar em carros, outras pessoas já fizeram. Mas eu nunca fiz”, avisou Zanella.



Mas ele não é um paraquedista de queda livre, essa fase já passou. A modalidade que ele pratica é o Swoop, também conhecido como Pilotagem de Velames. “Velame é o tecido do paraquedas, e o usado no Swoop é bem diferente do usado na queda livre”, explica o paraquedista de 25 anos.

O paraquedas de Swoop não retém a queda. Pelo contrário, ele acelera a descida. “Esse paraquedas é bem menor e por isso ele precisa ser aberto quase que imediatamente após o salto. Ele não tem a força de um velame de queda livre, o paraquedas de Swoop é feito para voar”, conta Zanella.

O Swoop é como a Fórmula 1 dos paraquedas. É como a corrida de super carros, a prática também é uma competição. Nesta modalidade, o paraquedista salta do avião a cerca de 1.500 metros de altitude, a metade de um salto convencional. O objetivo é voar a baixíssima altitude por uma espécie de raia de piscina, o “pound”, com uma área marcada por bandeiras. Ganha quem for mais preciso, mais rápido e percorrer a maior distância no circuito demarcado.

“Durante a passagem pelo pound é possível passar a mais de 100 km/h. É mais ou menos a mesma velocidade que programamos para o comercial da Goodyear”, explica o paraquedista, campeão brasileiro de Swoop em 2016. E o pouso? “No final da corrida você aciona o freio do paraquedas, como uma paraquedas convencional, mas é um pouso bem mais rápido e também mais difícil”, detalha Zanella, com o cotovelo direito ralado.

Hora do salto

Meia hora depois, Zanella termina de dobrar o paraquedas e embarca em um helicóptero Robinson R66. O plano é subir até cerca de 2.000 metros de altitude e saltar. Enquanto isso, a equipe de solo posiciona o carro, um luxuoso Audi conversível equipado com o novo pneu da Goodyear anunciado no vídeo.

“A publicidade mudou muito nos últimos seis anos. É um momento que possibilita criar comerciais diferentes, que mostram os produtos de outra forma. Cria mais empatia, relembra histórias, não cai no marasmo. Até pouco tempo os comerciais de pneus eram muito parecidos e não mudavam há anos”, conta o Gustavo Fernandes, coordenador de marketing de produto da Goodyear.

A ação foi realizada com helicóptero Robinson R66 e um conversível da Audi (Goodyear)

A ação foi realizada com helicóptero Robinson R66 e um conversível da Audi (Goodyear)

O comercial que Zanella foi convidado para participar faz parte de uma série chamada “Goodyear Moments”. Em outra campanha, os produtores combinaram a precisão de um pneu da marca com os movimentos de uma dançarina de balé.

“Na hora de criar o roteiro para esse novo produto pensamos em combinar uma ação de alta performance e diferente, que é o Swoop, com o novo pneu da Goodyear, que é feito para carros esportivos”, explicou Matheus Miguel, diretor de criação da produtra Fri.to e diretor do comercial.

Lá do alto, o piloto do helicóptero avisa pelo rádio que Arthur está pronto para o salto. Logo em seguida o piloto do Audi de capota aberta pisa fundo no acelerador. O paraquedista, o motorista do carro e a equipe de filmagem combinaram um ponto aproximado para o encontro radical, uma linha imaginária na pista. Além disso, Zanella é acompanhado por outro paraquedista, também de Swoop, com uma câmera.

E lá vai Zanella! Poucos segundos após o salto, o paraquedista abre o velame e desce girando em alta velocidade, seguido de perto pelo câmera. Enquanto reduz a altitude já é possível ver Arthur buscando um ponto de alinhamento com a pista. No ponto programado para o pouso, Arthur e o carro se encontram em alta velocidade, mas não dá certo…

“Cheguei muito rápido, tive que pousar na grama”, contou Zanela, sem nenhum ralado. “Só precisamos acertar alguns detalhes, daqui a pouco vai dar certo”. E, mais uma vez, é repetido o meticuloso “ritual” de dobrar o paraquedas. “Programamos para hoje seis saltos, até o final da tarde, se não chover”, contou o paraquedista.

Foi só falar de chuva…

Após o primeiro salto, começaram a surgir nuvens carregadas no céu. Se o tempo fechar o helicóptero precisa ir embora ou então não pode nem decolar. Zanella parte para o segundo salto, mas erra o banco do carona novamente, dessa vez por muito pouco e mais uma vez pousa na grama ao lado do circuito.

Mais nuvens e mais uma tentativa. “Se não der certo hoje temos que tentar novamente outro dia, o que envolve movimentar toda a equipe e o helicóptero mais uma vez”, disse o diretor da Fri.to.

Na terceira tentativa, sucesso! Zanella pousa no banco de passageiro do conversível e a equipe consegue a imagem, como podemos conferir no comercial da Goodyear abaixo. Com a chuva se aproximando, o helicóptero foi liberado e o serviço encerrado com o objetivo cumprido.

“Ainda bem que deu certo antes de chover! É uma manobra complicada, mas combinamos bem o ponto de encontro e a velocidade. A hora do pouso é difícil por que logo em seguida é preciso soltar o paraquedas para dar certo, se não continuo voando”, explicou Zanella, que terminou a sessão sem nenhum arranhão e mais uma façanha no currículo.

“Foi gratificante esse convite da Goodyear e conseguir completar a manobra, é uma coisa que poucas pessoas fizeram. Tenho mais ideias, algumas ainda inéditas no mundo, mas não posso contar se não alguém pode fazer antes”, anunciou Zanella, que enquanto você termina de ler esse texto provavelmente está por aí voando…

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