Afinal de contas, existem aviões mais seguros que outros? Um site voltado ao medo de voar, o AirSafe, decidiu criar um índice de acidentes por milhão de voos, ou seja, quantos infortúnios ocorrem a cada milhão de decolagens. Os números deixam claro, no entanto, como a aviação comercial avançou nas últimas décadas. Modelos conhecidos como o Boeing 737, usado no Brasil pela Gol, apresentam índices cada vez mais baixos que as gerações anteriores. Enquanto os primeiros 737-100 e 200 (usado pela Vasp e Varig) tiveram 49 acidentes fatais em cerca de 35 milhões de voos, a nova geração tem índice quase oito vezes mais baixo.

A lista, é claro, não é exata, afinal há dados incompletos, mas dá uma boa ideia das chances remotas de um acidente acontecer. Mesmo um jato extremamente confiável como o 777, da Boeing, é na prática mais seguro do que a estatística pura do site mostra. Ele teve três acidentes graves, mas nenhum deles foi causado por problemas do aparelho em si. Enquanto o primeiro acidente ocorreu por um erro do piloto (Asiana Airlines em San Francisco) ou outros dois casos envolvem aeronaves da companhia Malaysia Airlines. Como se sabe, um deles foi derrubado por um míssil de rebeldes ucranianos e outro desapareceu dos radares e até hoje não foi encontrado – as maiores suspeitas apontam um desvio voluntário do comandante do jato.


No ranking do site AirSafe, um avião se destaca de todos por ter passado incólume até hoje, o quadrirreator A340, da Airbus. O jato de longo alcance está em serviço desde 1993 e nunca teve acidente grave. Hoje, nada menos que 227 aviões ainda estão em operação, incluindo algumas rotas para o Brasil como Munique-São Paulo (Lufthansa) e Madrid-Rio de Janeiro (Iberia). Além dele, outros três modelos mais modernos nunca tiveram acidentes em sua folha corrida: o Boeing 747-8, o 787 e o A380, o maior avião do mundo e que esteve recentemente no país. Os três, no entanto, têm ainda um histórico recente comparado ao A340, mas é bastante provável que tenham uma carreira bastante segura graças ao avanço da tecnologia aeroespacial.

Do Bandeirante aos E-Jets

A Embraer figura na lista com um respeitável 5º lugar graças ao ótimo histórico da família E-Jet, que inclui o Embraer 170, E175, E190 e E195. Com mais de 1,1 mil aviões em serviço, o jato registrou apenas um acidente fatal. É uma situação oposta a do primeiro avião comercial da empresa, o Bandeirante. Segundo a AirSafe, 28 unidades foram perdidas em cerca de 7,5 milhões de voos desde o começo da década de 70. Outro avião da Embraer, o turboélice Brasilia, revela um avanço imenso em relação ao seu irmão mais velho: de 3,07 acidentes por milhão de voos deste último, a média caiu para 0,71 no EMB-120, sigla do Brasilia. Parece pouco, mas os E-Jets possuem uma média significativamente menor, de apenas 0,05 acidente a cada um milhão de decolagens.

Chance mínima


O levantamento site comprova que as chances de um acidente aéreo, por mais que pareça comum, é rara na realidade. Numa hipótese simples, se um avião como o Airbus A320, um dos mais populares do mundo, mantivesse uma média de 10 voos diários ele precisaria de mais de 2,7 mil anos para se acidentar. Já num Boeing 737 antigo, que tem uma média mais elevada, esse tempo seria de cerca de 450 anos. Isso, claro, se houvesse apenas um avião em operação e que ele pudesse resistir a tantas horas de voo.

Fokker 100 seguro

Entre os 20 aviões mais seguros consta até mesmo o Fokker 100, jato que saiu de operação no Brasil na semana passada e que acabou vendo sua imagem prejudicada após o acidente com um exemplar da TAM em 1996. A aeronave, no entanto, teve cinco acidentes graves em  mais de 10,5 milhões de voos, um índice respeitável de 0,18 acidentes por milhão de decolagens.