O aeroporto Santos Dumont: enquanto a pista principal permanecerá em obras, pista auxiliar receberá aviões menores (Diego Baravelli/Wikimedia)

Marcadas originalmente para começarem no dia 12 de agosto, as obras de reforma da pista principal do aeroporto Santos Dumont, na região central do Rio de Janeiro, foram transferidas para 28 de agosto, segundo a Infraero, que administra o terminal. Com duração de quase um mês, os trabalhos se estenderão até 21 de setembro e farão com que grande parte dos voos, sobretudo a ponte aérea Rio-São Paulo, seja transferida para o Aeroporto do Galeão.

O anúncio das obras causou confusão dentro do próprio governo federal já que a Infraero acabou voltando atrás após ser avisada pela ANAC que seria preciso algumas adequações na pista auxiliar a fim de autorizar o pouso de jatos da chamada categoria 3C que possuem peso máximo de decolagem pouco acima de 70 toneladas. Apesar de homologada para operar esses aviões, a ANAC requereu à Infraero que reformasse as cabeceiras e instalasse o sistema PAPI, um conjunto de luzes que indica aos pilotos se a rampa de pouso está correta.


A mudança de data, no entanto, gerou reclamações da Abear, a associação que reúne Gol, LATAM e Passaredo, entre outras, que lamentou a mudança de data após meses de planejamento. Agora, a Infraero diz que as empresas terão 45 dias para adequar suas malhas à interrupção parcial.

Logo que a Infraero anunciou a data original, LATAM e Azul informaram que transfeririam seus voos para o Galeão – a companhia de David Neeleman só manteria os turbo-hélices ATR no Santos Dumont. Mais tarde a Passaredo afirmou que permaneceria operando no aeroporto central utilizando a pista auxiliar. Já a Gol disse que estava estudando qual seria o procedimento para sua malha.

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Jatos da LATAM e Azul no Santos Dumont: companhias dizem que irão mudar para o Galeão (Thiago Vinholes)

Embraer e 737-700

A categoria 3C reúne hoje diversos jatos e turbo-hélices, mas não inclui os modelos mais utilizados no país como o Boeing 737-800, principal avião da Gol, e os A319 e A320, utilizados pela LATAM e Azul (apenas A320). Por essa razão, a interdição afeta justamente os jatos que operam a ponte aérea. No caso da LATAM, no entanto, não há outra aeronave menor que o A319 (utilizado na ponte) em sua frota e a Azul não tem voos entre Congonhas e Santos Dumont.


Já a Gol, em tese, poderia escalar seus 737-700, aviões de menor capacidade utilizados em rotas secundárias. Para isso seria preciso remanejar seus jatos em várias rotas para liberar a versão para voar na ponte aérea. Diante da rejeição comum ao Galeão, se trataria de uma vantagem competitiva imensurável durante um mês já que a LATAM pousará no Galeão durante o período das obras.

Além do 737-700 apenas os jatos E190 e E195 e o Airbus A318 poderão operar no Santos Dumont durante o período de obras, quando a pista principal receberá uma nova camada asfáltica após uma década. Apenas a Azul possui os aviões da Embraer, mas, como afirmado, preferiu transferi-los para o Galeão. O menor jato da família A320, por sua vez, só foi utilizado no Brasil pela Avianca que deixou de operar em maio.

Segundo a Infraero, passam mensalmente pelo aeroporto Santos Dumont 770 mil passageiros, hoje o 7º mais movimentado do país.

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