O ataque ao WTC deixou mais de três mil mortos e mudou os padrões de segurança da aviação (Reprodução)

O ataque ao WTC deixou mais de três mil mortos e mudou os padrões de segurança da aviação (Reprodução)

Um acidente de avião acontece a partir de uma sequência de falhas, humanas ou mecânicas, que somadas podem causar uma catástrofe. Dificilmente um único defeito pode causar a queda de uma aeronave. Por outro lado, para um atentado terrorista acontecer basta apenas um pequeno erro, permitindo que criminosos alcancem aviões comerciais.

Foi o que aconteceu no dia 11 de setembro de 2001, quando 19 terroristas do grupo Al Qaeda em uma ação coordenada sequestraram quatro aviões e os utilizaram em ataques suicidas. Dois Boeing 767, das companhias American Airlines e United Airlines, colidiram contra o World Trade Center, os maiores arranha-céus em Nova York, que em seguida desabaram.


Os outros aviões sequestrados, dois Boeing 757, novamente das mesmas empresas, tiveram destinos diferentes e igualmente fatais. Segundo a versão divulgada pelas autoridades dos EUA, o jato da American Airlines colidiu contra o Pentágono, em Washington, enquanto o aparelho da United caiu em um campo Shaksville, não atingindo seu objetivo. Nesse voo, os passageiros a bordo entraram em conflito com os terroristas e tentaram reassumir o controle.

Neste dia todos os voos nos Estados Unidos foram cancelados. Era preciso apurar como tudo havia acontecido e buscar soluções imediatas. O resultado veio no controle de segurança mais rígido já imposto na história da aviação, utilizando inclusive métodos controversos.

Depois do fatídico dia que deixou mais de três mil mortos, a segurança nos aeroportos, especialmente nos EUA, apertou como nunca e uma série de restrições e procedimentos se tornaram obrigatórios. Veja o que mudou após os atentados de 11 de setembro de 2001:

Restrição a líquidos


Já teve uma garrafa d’água ou um desodorante barrado na revista antes de embarcar para um voo? A restrição a quantidades superiores a 100 ml de líquidos, pastas ou gel foi imposta em 2006 após o serviço secreto do Reino Unido prender um grupo terrorista que planejava realizar ataques em aviões com uma combinação de líquidos explosivos.

Todas as companhias proíbem o transporte de objetos pontiagudos, líquidos inflamáveis, entrou outros itens

Todas as empresas proíbem o transporte de objetos pontiagudos, líquidos inflamáveis, entre outros itens

Bagagem de mão

O controle das bagagens de mão ficou mais rígido. Não basta apenas passar os objetos na máquina de raio X e em alguns casos é preciso desmanchar a mala. Computadores, tablets e telefones também devem passar pela revista fora das malas. Nos EUA ainda é preciso retirar os sapatos e também passá-los pelo raio X. Em 2001, os britânicos prenderam um passageiros com um dispositivo explosivo montado no sapato.

Os equipamentos de raio X ficaram mais avançados após os ataques nos EUA (Divulgação)

Os equipamentos de raio X ficaram mais avançados após os ataques nos EUA (Divulgação)

Lista de suspeitos

Todos as pessoas que entram e saem dos EUA têm suas identidades conferidas na “No Fly List” e a Terrorist Identities Datamart Enviromenment. São listas criadas logo após o atentado nos EUA com mais de 550 mil nomes de terroristas e suspeitos de terrorismo. Se uma dessas pessoas for flagrada é barrada imediatamente. O sistema inclui nomes proibidos de voar ou de pessoas que requerem atenção especial, como uma revista mais detalhada.

Scanner corporal

Depois de passar pelo detector de metais e ter as bagagens de mãos revistadas, os passageiros que embarcam em voos nos EUA ainda precisam passar pelo scanner corporal. A pessoa entra na máquina com os braços levantados e o equipamento faz uma série de imagens de raio X mais avançadas, que podem literalmente ver por baixo das roupas dos passageiros. O aparelho revela qualquer tipo de objeto suspeito que possa estar escondido nos corpos ou vestimentas.

O scanner corporal usado nos EUA e Reino Unido consegue ver por baixo das roupas dos passageiros (Divulgação)

O scanner corporal usado nos EUA consegue “ver” por baixo das roupas dos passageiros (Divulgação)

Detector eletrônico de explosivos

Outra máquina avançada que ajuda o controle de segurança nos EUA é o detector de explosivos. Nesse procedimento, um funcionário do aeroporto colhe amostras de resíduos das mãos dos passageiros e as insere no detector eletrônico. Segundo as autoridades americanas, o equipamento encontra particulas de pólvora e outros explosivos plásticos, além de drogas.

Verificação de malas despachadas

Nos EUA, boa parte do controle de segurança fica longe dos olhos dos passageiros. As malas despachadas passam por uma rigorosa análise com raio X e cães farejadores. Na menor suspeita, qualquer mala pode ser revistada detalhadamente sem aviso prévio.

O uso de cães farejadores também aumentou após os ataques (Reprodução)

O uso de cães farejadores também aumentou após os ataques (Reprodução)

Reconciliação de bagagem

Desde o 11 de setembro, todos os aviões são proibidos de decolar com bagagens de passageiros ausentes no voo. A ação aparentemente inofensiva pode representar uma situação de alto risco. Por conta disso, há um controle eletrônico que concilia o passageiro no portão de embarque com sua bagagem já alocada na aeronave, onde também existe outro controle. Esse procedimento impede o despacho de bagagens com explosivos.

Revista manual

A revista manual é realizada nos EUA quando o detector de metais ou o scanner corporal encontra algum objeto suspeito com o passageiro. Após o atentado em Nova York, o processo se tornou mais invasivo e as autoridades não hesitam em apalpar até mesmo as partes íntimas dos passageiros.