O primeiro Boeing 737-800 da Norwegian Argentina foi recebido no dia 15 de janeiro de 2018

Sensação entre as companhias aéreas low-cost, a Norwegian Air está sentindo o gosto amargo de operar na América do Sul, continente conhecido pelos países de economias inconstantes. Sua operação na Argentina, que estreou no ano passado sob enorme expectativa, está no vermelho há meses e sem sinais de recuperação.

Diante do resultado negativo, o chefão de finanças do grupo, Geir Kalsen, afirmou à imprensa norueguesa que a subsidiária argentina tem até agosto para reverter a situação e tornar-se lucrativa. “Se nosso projeto na Argentina não corresponder ao planejado estamos preparados para nos retirar”, afirmou o executivo.


É verdade que a Norwegian Air deu azar de chegar ao nosso vizinho em um período ruim, com a economia em frangalhos. Mas os noruegueses também tiveram o dissabor de encontrar um setor que, após uma abrupta abertura de mercado, passou a ganhar novos concorrentes rapidamente.

Nesse contexto estrearam as companhias JetSmart, do Chile, e Flybondi, ambas com estratégias agressivas que praticam preços considerados incompatíveis com os custos. Com isso a ocupação dos voos da Norwegian está bem abaixo do esperado.

(Divulgação)

JetSmart (Chile) é uma das empresas que dão trabalho para a Norwegian Argentina

MAX causa retorno de avião

O cenário em nada se parece com o que a Norwegian acreditava que encontraria ao estrear na Argentina. Após demorar a iniciar suas operações, a companhia recebeu quatro Boeing 737-800 alugados, mas acabou enviando um deles para a Europa para compensar o aterramento do modelo MAX usado pela matriz norueguesa.


Se decidir deixar o mercado argentino, ao menos a Norwegian deve permanecer com seu voo entre Buenos Aires e Londres, rota que marcou a estreia da empresa no continente. Hoje a companhia também voa para o Rio de Janeiro, partindo do aeroporto de Gatwick.

Aliás, a experiência ruim na Argentina certamente deve fazer com que a companhia low-cost repense qualquer tentativa de se instalar no Brasil caso a restrição ao capital estrangeiro no setor seja de fato eliminada. Definitivamente, fazer negócios no continente não é para principiantes.

Estreia da Norwegian no Rio: mercado sul-americano não é moleza (Norwegian UK)

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