Os AF-1 são operados pelo Esquadrão VF-1, baseado em São Pedro da Aldeia – RJ (Samuel Pysklyvicz/Poder Naval)

A Marinha do Brasil recebeu no início deste mês o quinto caça naval AF-1 “Falcão” modernizado pela Embraer Defesa & Segurança na instalação de Gavião Peixoto (SP). O modelo em questão é um AF-1B (matrícula N-1013), para um piloto, e o penúltimo aparelho a passar pelo processo de revitalização. A sexta e última aeronave renovada está programada para ser entregue em 2020.

Como explica a Marinha, os caças modernizados propiciam aos pilotos “maior consciência situacional e familiaridade com a operação de sistemas de uma aeronave moderna”. Outro destaque do avião de combate mais recente recebido pela corporação é a pintura de baixa visibilidade, o que permite seu emprego em missões de inteligência ao acompanhar alvos de superfície.


Essas capacidades, aliadas as existentes nos radares 997 Artisan do Porta-Helicópteros “Atlântico”, permitirão o cumprimento de missões de interceptação e ataque, na defesa aérea da Força Naval, com maior eficiência, informou a Marinha.

AF-1 Falcão é a designação da marinha brasileira para o caças navais McDonnell Douglas A-4KU Skyhawk II, um projeto consagrado e provado em combate, mas já bem antigo – a primeira versão da aeronave foi desenvolvida no início da década de 1950. Os jatos em serviço no Brasil foram comprados em 1997 da força aérea do Kuwait para operarem a bordo do porta-aviões São Paulo, desativado no ano passado. Ao todo, foram adquiridas 23 aeronaves.

A modernização dos AF-1 vem sendo executada desde 2009, quando a Marinha formalizou a escolha da Embraer para realizar o projeto AF-1M. O planejamento original previa a atualização de 12 caças (nove AF-1B e três AF-1C, para dois pilotos), mas por falta de verbas o número de aviões contemplados no processo foi reduzido. A primeira aeronave atualizada foi entregue em 2015.

Cockpit modernizado do AF-1B (Samuel Barros Pysklyvicz/Poder Naval)

Modernização


Os caças AF-1 da Marinha modernizados no Brasil são considerados a versão mais avançada do A-4 Skyhawk já desenvolvidas no mundo. O programa de atualização da aeronave inclui a substituição de antigos equipamentos de navegação e comunicação por recursos mais avançados, além da revitalização estrutural para prolongar a utilização dos jatos por aproximadamente mais 10 anos.

Um dos principais recursos de nova geração do AF-1 é o radar israelense EL/M 2032, que possui diferentes modos de operação. O equipamento pode realizar buscas ar-ar, ar-mar, ar-solo e navegação, além de ter a capacidade de rastrear 64 alvos marítimos simultaneamente a uma distância de até 256 km (160 milhas) – no modo ar-ar o alcance do radar é de 128 km.

A lista de novos itens no AF-1 ainda inclui novos aviônicos (do tipo glass cockpit) e sistemas de geração elétrica e de oxigênio atualizados. Com essas modernizações, o caça da Marinha pode utilizar mísseis mais avançados e bombas “inteligentes”.

Avião naval sem porta-aviões…

Apesar do processo de modernização da Embraer, os AF-1 dificilmente devem voltar a pousar ou serem lançados a partir de um porta-aviões brasileiro. A Marinha, que recentemente incorporou o porta-helicópteros PHM Atlântico, ainda mantém o sonho de ter um novo navio-aeródromo.

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No entanto, a embarcação pretendida, descrita no Programa de Obtenção de Navios-Aeródromos (Pronae), não deve ficar pronta a tempo de ainda poder aproveitar a vida útil dos AF-1 modernizados, se o projeto de fato for adiante.

Atenta ao plano da Marinha do Brasil de voltar a operar com porta-aviões, a SAAB já sugeriu desenvolver uma versão naval do Gripen, o Sea Gripen.

Mais aviões navais

A Marinha do Brasil também trabalha na modernização de quatro Grumman C-1A Trader, adquiridos dos Estados Unidos em 2010 – ao todo foram adquiridos oito aviões, mas apenas quatro serão renovados. A versão atualizada, proposta pelo grupo Elbit Systems of America / M7 Aerospace, é chamada de KC-2 Turbo Trader.

A Marinha do Brasil adquiriu em 2010 dos EUA oito células do C-1 Trader - apenas quatro serão modernizados (US Navy)

A Marinha do Brasil adquiriu oito células do C-1 Trader – apenas quatro serão modernizados (US Navy)

Segundo a Marinha, os KC-2 equipados com motores turbo-hélices e capacidade para operar em porta-aviões, poderão cumprir tarefas como vigilância naval, operações de busca e salvamento, lançamento de paraquedistas reabastecimento aéreo de caças AF-1 e suporte logístico. O modelo atualizado está programado para voar em 2019.

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