NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras, onde ficou durante boa parte de sua carreira no Brasil (Alexandre Galante/Poder Naval)

NAe São Paulo parado na Ilha das Cobras, onde ficou durante boa parte de sua carreira no Brasil (Alexandre Galante/Poder Naval)

A Marinha do Brasil (MB) anunciou nessa quinta-feira (22) a “Mostra de Desarmamento” do porta-aviões NAe São Paulo. Isso significa que a embarcação agora não faz mais parte da esquadra ativa do país. Em fevereiro de 2017, a MB já havia iniciado a “desmobilização” da embarcação, processo que inclui a desmontagem de componentes e equipamentos do barco que podem ser reaproveitados.

Conforme publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (23), a Marinha exonerou do cargo de comandante do barco o Capitão de Mar e Guerra Carlos Roberto Rocha e Silva Junior, e deu início ao processo de alienação do casco do porta-aviões.


O principal candidato a assumir a embarcação é o Instituto São Paulo|Foch, formado por ex-militares e entusiastas que tem como objetivo transformar o navio-aeródromo em museu flutuante. O plano do grupo, que ainda depende de parceiros, investidores e incentivos públicos, é transferir o navio para uma área no porto de Santos, no litoral de São Paulo.

O São Paulo está atracado atualmente na base da Marinha na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro (RJ), onde permaneceu a maior parte de sua difícil carreira no Brasil, que envolveu uma série de problemas técnicos e dois acidentes.

Segundo dados da marinha brasileira, o porta-aviões adquirido no ano 2000 permaneceu um total de 206 dias no mar, navegou por 53.024,6 milhas (85.334 km) e realizou 566 catapultagens de aeronaves. O principal avião operado na embarcação foi o caça naval AF-1, designação da MB para o McDonnell Douglas A-4 Skyhawk, hoje operados a partir de bases terrestres.

Caças AF-1 estacionados no convés de voo do NAe São Paulo (MB)

Caças AF-1 estacionados no convés de voo do NAe São Paulo (Marinha do Brasil)

Antes de optar pela desativação definitiva, a Marinha tentou em diversas oportunidades recuperar a capacidade operacional do navio, o que exigiria um longo e custoso processo de modernização. Antes de servir no Brasil, a embarcação construída entre 1957 e 1960 pertenceu a marinha da França, que o batizou como “FS Foch”.


Com 266 metros de comprimento e deslocamento de até 32.780 toneladas, o São Paulo foi o maior navio que serviu na Marinha do Brasil na posição de “nau capitânea” (título dado ao maior navio de uma marinha), posto hoje ocupado pelo porta-helicópteros PHM Atlântico. O navio recém-desativado ainda figurava entre os maiores porta-aviões do mundo.

O São Paulo foi o sucessor do NAe Minas Gerais, o primeiro porta-aviões do Brasil, operado pela marinha brasileira entre 1960 e 2001. Após sua desativação, a embarcação foi vendida como sucata e desmontada na Índia.

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