O primeiro E195-E2 da Azul é flagrado em São José dos Campos: prova de fogo a partir do 12 (Instagram/Roberto Antenore via AEROIn)

Na próxima quinta-feira, 12 de setembro, a Embraer acrescentará mais uma data importante em sua longa e vitoriosa carreira de 50 anos. Nesse dia, a fabricante brasileira entregará a primeira unidade do E195-E2, maior jato de passageiros projetado e construído no Brasil, para a companhia aérea Azul.

Para se ter uma ideia da evolução da aeronave, que é derivada do primeiro E195, basta dizer que ela é capaz de transportar o equivalente a oito Bandeirante, o primeiro avião da Embraer.


Em classe única e com fileiras de assentos separados por 28 polegadas, o E195-E2 pode levar 146 passageiros a bordo a uma distância de 4.820 km, algo como ir de Porto Alegre a Bogotá, capital da Colômbia, sem escalas – dentro do Brasil qualquer destino está a seu alcance.

Mas é na economia de operação que o novo jato da Embraer promete se diferenciar. De acordo com os testes de homologação, o E195-E2 foi capaz de consumir 25,4% menos combustível por assento que o E195. É a maior evolução entre os três membros da família E2, que inclui o E190-E2, já em operação, e o menor E175-E2, em construção.

Para os padrões de custo na aviação, reduzir os custos de operação em tamanho grau significa tornar lucrativas rotas que antes seriam prejuízo na certa. O E195-E2 promete mais ao levar cerca de 20 passageiros a mais que seu antecessor. Ao ampliar a capacidade, o jato brasileiro automaticamente aumenta a oferta de assentos sem que seja preciso de mais voos em rotas mais congestionadas.

O E195-E2 foi homlogado no início de 2019 (Embraer)

Ofuscado pelo A220


Mesmo com essas inúmeras vantagens, o E195-E2 ainda não embalou nas vendas. É a variante mais encomendada da nova família, com 124 pedidos firmes, mas destes nada menos que 51 foram encomendas pela Azul, única companhia aérea de grande porte a decidir optar pelo avião brasileiro.

O restante da lista de clientes não impressiona: além de 57 unidades para empresas de leasing, o E195-E2 conquistou pedidos da Binter Canarias (5) e da africana Air Peace, com 10 aviões.

Apesar da boa notícia surgida no Paris Air Show, quando a KLM Cityhooper anunciou a intenção de encomendar 15 E195-E2 e 20 opções, o negócio ainda não foi assinado. Desde junho, não houve mais pedidos, embora algumas possibilidades tenham surgido nos bastidores, como a venda para a empresa Belavia e o estudo que está sendo realizado pela Aeromexico para substituir seus antigos E190.

Aliás, esse negócio envolve o concorrente principal do E195-E2, o Airbus A220-300, ex-CS 300, da Bombardier. A aeronave canadense, que demorou anos para ser desenvolvida, tem atraído um bom número de interessados, incluindo aí outro tradicional cliente da Embraer, a JetBlue.

A cabine do E190-E2 pode ser dividida em classes diferentes (Embraer)

A cabine dos jatos E2: capacidade de passageiros equivalente a quase oito Bandeirante (Embraer)

A companhia aérea dos EUA, fundada pelo empresário David Neeleman, transformou-se na cliente lançadora do E190 em 2003 com uma encomenda impressionante de 100 aviões, mas que na prática acabou reduzida a 60 unidades.

Quando resolveu trocar o jato de 100 assentos por uma aeronave mais econômica e maior, a escolha do E195-E2 parecia natural. Só parecia. Em uma disputa árdua, a companhia acabou preferindo o A220 no ano passado, com um pedido de 60 unidades mais 60 opções.

Com o A220-300, a JetBlue terá uma aeronave com capacidade mais próxima de seus Airbus da família A320, cuja versão com menos assentos tem 150 lugares. Seria algo que o E195-E2 poderia fazer também, mas talvez o peso de lidar com apenas um fabricante pode ter ajudado na decisão.

E é essa expectativa que paira sobre a Embraer e sua família E2. Será que a futura joint venture com a Boeing terá a mesma força da Airbus hoje? Ou será que faltava apenas que o E195-E2 estreasse para mostrar seu potencial em uma grande companhia aérea para que os pedidos fossem fechados? A resposta começará a ser dada na próxima quinta-feira.

O “bicho-papão” A220-300: rival tem acumulado boas vendas (Airbus)

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