A encomenda de 300 avões da Airbus inclui o A321XLR, versão de longo alcance do modelo (Airbus)

Enquanto a Boeing continua em sua luta para recolocar o 737 MAX em operação, a Airbus colenciona mais encomendas com o rival A320neo. Mas o anúncio desta terça-feira (29) ultrapassou qualquer expectativa. A companhia low-cost indiana IndiGo fechou uma pedido firme para adquirir 300 aviões da família A320neo.

Segundo a Airbus, é uma das maiores encomendas já realizadas por apenas um operador em sua história. O pedido envolve um mix de aeronaves A320neo, A321neo e A321XLR, mas os totais não foram revelados.


A IndiGo é atualmente a maior companhia aérea da Índia com uma frota de quase 250 aviões, algo como a soma de todas as aeronaves da Gol e da Azul. Embora tenha alguns turbo-hélices ATR, a base da frota é mesmo de jatos A320 e A321, 97 deles A320neo, a maior frota do mundo desse modelo. Fundada em 2004, a empresa começou a voar dois anos depois e desde então tem experimentado um crescimento espetacular. Para dar conta da expansão, a companhia possui 730 aviões encomendados com a Airbus, já incluindo o novo pedido.

“Esse pedido é um marco importante, pois reitera nossa missão de fortalecer a conectividade aérea na Índia, o que, por sua vez, impulsionará o crescimento econômico e a mobilidade. Espera-se que a Índia continue com seu forte crescimento da aviação e estamos no caminho de construir o melhor sistema de transporte aéreo do mundo, atender mais clientes e cumprir nossa promessa de oferecer tarifas baixas e uma experiência agradável e sem complicações”, afirmou Ronojoy Dutta, CEO da IndiGo.

“Estamos muito satisfeitos que a IndiGo, uma das nossas primeiras clientes do A320neo, continue construindo seu futuro com a Airbus, o que a torna a maior cliente do mundo desta família”, comemorou Guillaume Faury, CEO da Airbus.

A Jet Airways, segunda maior companhia aérea indiana, parou de voar em abril (Uday Bararia)

Mercado em crise

O pedido descomunal contrasta com os problemas enfrentados pelas companhias aéreas indianas a despeito do crescimento do mercado de aviação comercial. Em abril, a segunda maior empresa do país, a Jet Airways, suspendeu todos os seus voos por conta de problemas financeiros e hoje busca um comprador para voltar a voar. Entre os interessados, quem diria, está German Efromovich, dono da OceanAir, vulgo Avianca Brasil, hoje numa complicada recuperação judicial.

O caso da Jet Airways não é isolado em um dos maiores mercados de aviação do mundo, que transportou mais de 170 milhões de passageiros no ano passado. A Air India, tradicional companhia de bandeira do país, opera no vermelho há muitos anos, mas sobrevive pelo fato de ser uma estatal. Outras companhias aéreas como a SpiceJet, GoAir e Vistara disputam o mercado indiano, mas sem ameaçar os líderes.

A própria IndiGo passou por problemas neste ano quando seus fundadores tornaram pública uma disputa por poder na companhia, que hoje responde por quase metade dos passageiros transportados na Índia. Parece que, com a gigantesca encomenda, essa disputa ficou em segundo plano, felizmente.

A estatal Air India dá prejuízos há vários anos (Julian Herzog)

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