O MD-11F (esquerda) será completamente substituído pelo 777F (Lufthansa)

Se há exatos cinco anos o MD-11 se despedia dos passageiros quando a KLM retirou o trimotor de operação, agora a Lufthansa confirmou que aposentará o widebody também na função de aeronave cargueira.

Segundo o relatório financeiro da empresa divulgado nesta quinta-feira, os últimos MD-11F serão retirados de serviço até o fim de 2020. Atualmente, operam na divisão de carga dez aeronaves, mas três delas serão aposentadas no próximo mês.


Para substituir o jato de três motores, a companhia aérea alemã está encomendando mais dois Boeing 777F. O bimotor é capaz de transportar até 103 toneladas de carga, 10 a mais que o MD-11F, e com um autonomia maior além da economia de combustível.

A Lufthansa chegou a operar 18 MD-11F em sua frota que tiveram a missão de aposentar o Boeing 747 nessa função há 21 anos. O jato fabricado pela McDonnell Douglas como um sucessor do DC-10 acabou sendo um fracasso de vendas: apenas 200 aviões foram construídos entre 1988 e 2000, já então como parte da Boeing.

A Fedex é a maior operadora do MD-11 atualmente com quase 60 aviões de carga (Aero Icarus)

Entregas expressas

Hoje estima-se que cerca de 120 aeronaves continuem a voar, todas elas como cargueiros. A maior operadora do MD-11F é a Fedex, com 59 aviões, seguida da rival UPS, com 37 jatos. O restante dos trimotores ativos está na Western Global Airlines, Sky Lease Cargo e na pouco conhecida Global Africa Aviation, companhia de cargas sediada no Zimbabwe e que tem dois MD-11 em sua frota.

Embora não tenha recebido muitas encomendas, o MD-11 tem acumulado uma carreira com poucos acidentes ou problemas diante da frota reduzida. Foram dez acidentes com vítimas fatais, apenas um deles em que todos os ocupantes pereceram, o voo 111 da Swissair, que decolou de Nova York para Genebra em setembro de 1998 e caiu quando voava próximo a costa da Nova Escócia.

Nos anos 90, a McDonnell Douglas tinha planos de lançar uma versão maior do MD-11 assim como uma variante de dois motores para disputar mercado com o 777 e o A330, mas a venda para a Boeing significou na prática o fim da carreira do icônico trimotor.

A desconhecida Global Africa Aviation, do Zimbabwe, é uma das poucas companhias a usar a aeronave

Popular no Brasil

Se no exterior o MD-11 teve poucos interessados, no Brasil o trirreator foi usado por várias companhias. A Varig e a Vasp estrearam o jato em 1992 e tiveram ao todo 36 aeronaves – 26 na primeira e 10 na segunda. A Vasp devolveu os últimos aviões em 2001 enquanto a Varig os operou até o fim da sua carreira, em 2007. Nesse mesmo ano, a TAM recebeu três MD-11 que eram da Varig emprestados pela Boeing por conta do atraso na entrega de seus 777-300ER e só voaram até 2008. A versão de carga do MD-11 também foi utilizada em nosso país pela VarigLog.

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