O jato sino-russo CR929: parceria com italianos pode abrir portas para o widebody (COMAC)

O ambicioso programa de desenvolvimento do jato de passageiros widebody CR929 pode contar com uma importante ajuda europeia. O grupo italiano Leonardo foi convidado pelos chineses da COMAC para entrar no projeto como parceiro na construção de parte do avião.

Embora tenha um nome hoje pouco conhecido, a Leonardo é uma gigante aeroespacial que reúne nomes famosos do passado como Aeritalia, Agusta e a inglesa Westland, entre outros. A empresa é sócia da Airbus na ATR, maior fabricante de turbo-hélices de passageiros do mundo, além de ter uma atuação importante no segmento de asas rotativas.



Por isso sua possível entrada no projeto do CR929 pode ajudar a abrir portas para o birreator sino-russo – a UAC, holding de fabricantes russa, também é sócia dos chineses. Segundo a mídia italiana, uma comitiva italiana esteve na sede da COMAC negociando a parceria que envolveria a associação da Leonardo numa joint-venture com o grupo chinês Kangde para a fabricação da seção central da aeronave. As ações da companhia italiana subiram com o anúncio, um indicador do potencial que o CR929 tem sobretudo no mercado chinês, que deve se tornar um dos maiores do mundo.

Peitando Airbus e Boeing

A iniciativa da COMAC é clara: quebrar o duopólio de Airbus e Boeing no mercado de jatos comerciais. A empresa já testa o C919, um narrowbody com porte semelhante ao A320, que tem previsão de entrar em serviço em 2021. Com o projeto do CR929, um birreator com porte semelhante ao do Airbus A350, a fabricante pretende oferecer um produto para companhias aéreas que buscam uma aeronave com alcance de pelo menos 12.000 km, mas com um custo de aquisição mais competitivo.

Com 63 metros de comprimento e uma fuselagem com diâmetro de 5,9 m, o CR929 deve transportar entre 300 e 450 passageiros, dependendo da configuração. Apesar de ser construído por chineses e russos, o jato terá conteúdo ocidental, como por exemplo os motores.

O horizonte do novo avião, no entanto, é distante: o primeiro voo é previsto para 2023 e a entrada em serviço, para 2025 apenas. Até lá, Boeing e Airbus continuaram dividindo o mercado de widebodies tranquilamente.

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A MAP é atualmente a única companhia aérea do Brasil que voa para cidades no interior do Amazonas (ATR)

A Leonardo é sócia da Airbus na ATR, maior fabricante de turbo-hélices de passageiros do mundo