Vice-colocada no mercado doméstico, a Latam foi a empresa brasileira com mais passageiros em voos internacionais (Thiago Vinholes)

A Latam Chile já opera um voo semanal entre Punta Arenas e as Ilhas Falkland (Thiago Vinholes)

O Conselho Executivo do governo das Ilhas Falkland anunciou nessa quinta-feira (26) que escolheu a Latam Airlines como o operador preferencial para fornecer um segundo voo comercial entre o arquipélago e a América do Sul. A região é atendida atualmente somente por um voo semanal da Latam Chile, a partir de Punta Arenas, no sul do Chile, realizado aos sábados – uma vez por mês esse voo faz uma conexão em Rio Gallegos, na Argentina.

O comunicado oficial das Ilhas Falkland ainda diz que a Latam propôs um voo no meio da semana entre as ilhas e São Paulo (SP). As negociações também incluim discussões sobre a criação de uma conexão mensal na Argentina.


A decisão final será divulgada até setembro, informou o governo do território britânico ultramarino, hoje com cerca de 2.500 habitantes e muito procurado por turistas que apreciam destinos exóticos (e gelados).

A Latam confirmou ao Airway que a empresa participou de um processo de licitação convocado pelos governos da Argentina e do Reino Unido para “oferecer um itinerário que complemente a operação atual do aeroporto Mount Pleasant”. A companhia, no entanto, comunicou que não foi notificada sobre a decisão e aguarda um anúncio das autoridades competentes.

A Latam Chile voa para as Ilhas Falkland desde 1999, quando ainda era a Lan Chile e antes da fusão com a TAM. O voo, que parte do Chile, foi autorizado por um decreto firmado naquele ano pelos governos do Reino Unido e Argentina. A viagem a partir de Punta Arenas é um raro ponto entre as fronteiras dos dois países onde é possível voar para as Ilhas Falkland com uma curta passagem no espaço argentino, pela Terra do Fogo.

Outra forma de chegar ao arquipélago é embarcando em aeronaves da força aérea britânica (Royal Air Force – RAF). Os voos partem da base aérea de Brize Norton, a cerca de 110 km de Londres, e são realizados com aviões-tanque Airbus Voyager (versão de reabastecimento aéreo e transporte baseada no A330) às quartas-feiras e domingos. O voo ainda faz uma parada na Ilha da Ascensão, no meio do Atlântico.


A RAF oferece uma quantidade limitada de assentos em voos a bordo do avião-tanque Airbus Voyager (RAF)

A RAF oferece uma quantidade limitada de assentos em voos a bordo do avião-tanque Airbus Voyager a partir da Inglaterra; o trecho é realizado duas vezes por semana (RAF)

Vista grossa da Argentina

As Ilhas Falkland estão a apenas 480 km da costa da Argentina, mas o governo da Casa Rosada raramente aprova propostas de voos para as ilhas britânicas no Atlântico Sul a partir de seu território. Buenos Aires reivindica a posse do arquipélago, o qual chama de Ilhas Malvinas, há mais de um século, razão que levou o país a uma guerra contra a Inglaterra, em 1982.

Passados mais de três décadas da Guerra das Malvinas, que deixou 255 soldados britânicos e mais de 650 argentinos mortos, a Argentina e a Reino Unido vem buscando melhorar as relações sobre as ilhas nos últimos anos, especialmente para a criação de novos voos entre o arquipélago e a América do Sul.

O aeroporto de Mount Pleasant também é uma base aérea da RAF (Mount Pleasant Airport)

O aeroporto de Mount Pleasant também é uma base aérea da RAF (Mount Pleasant Airport)

Os caminhos mais curtos e seguros de qualquer voo que parta de algum país da América do Sul para as Ilhas Falkland passam pelo espaço aéreo da Argentina. O país, porém, proíbe a maioria das tentativas de voos comerciais para a região passando por seu território e costuma reclamar de países vizinhos que permitem paradas de aviões britânicos a caminho do Arquipélago.

Em março de 2017, o governo argentino pediu explicações ao Brasil sobre 18 voos realizados por aviões da RAF entre as Ilhas Falkland e aeroportos brasileiros nos últimos dois anos.

A Argentina alegou que os voos eram uma quebra no acordo entre os países do Mercosul e Unasul, que não devem permitir paradas de aviões e navios militares britânicos em direção as ilhas no Atlântico Sul.

Na época da reclamação, o governo brasileiro disse que não tinha conhecimento dos voos da RAF, mas reafirmou o apoio do país a Argentina nessa questão.

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