O PC-24 pode voar a velocidade máxima de 815 km/h e tem autonomia de 2.200 km (Pilatus)

Já viu um jato executivo pousar em pistas de terra? O PC-24 é projetado para cumprir praticamente as mesmas missões de um turbo-hélice utilitário (Pilatus Aircraft)

A Pilatus Aircraft, da Suíça, é uma das marcas presentes na Labace 2018, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP). A fabricante, no entanto, não trouxe para o evento seu novo produto, o jato PC-24, uma das principais novidades no mercado mundial de aviação executiva.

“Era para ele (o PC-24) ter vindo, mas houve mudanças de última hora”, explicou Adan Fraga, responsável pela área de marketing do grupo Synerjet, representante da Pilatus no Brasil. “Mas em 2019 ele vem sem falta”, avisou Fraga. O único avião da empresa exposto na feira é o turbo-hélice PC-12.



O PC-24 é uma aeronave que pode se adaptar bem às condições de aeródromos do Brasil. O jato da Pilatus é projetado para operar a partir de pistas não-pavimentadas, como pisos de terra ou grama. Segundo o executivo da Synerjet, a capacidade do novo jato suíço está atraindo clientes que já possuem aviões turbo-hélice e operam em aeródromos com infraestrutura limitada.

“Cerca de 80% dos clientes que encomendaram o PC-24 estão migrando do segmento dos turbo-hélices”, revelou Fraga. A Pilatus já recebeu mais de 80 pedidos pelo novo jato e pelo menos três aeronaves devem chegar à América Latina até 2020. “O primeiro PC-24 deve chegar ao Brasil ou o Chile em 2019.”

O PC-24 também é um estratégia da Pilatus para não seu perder seus clientes do turbo-hélice PC-12. “Um estudo da Pilatus mostrou que 90% dos clientes perdidos trocaram seus PC-12 por jatos”, contou Fraga. “Com o PC-24 o cliente pode manter o mesmo tipo de operações que fazia com aviões turbo-hélices, ou mesmo o PC-12”, completou o porta-voz da Synerjet.

(Synerjet)

O PC-24 cumpre as mesmas missões do turbo-hélice PC-12, só que muito mais rápido (Synerjet)

A Pilatus entregou o primeiro PC-24 em fevereiro deste ano e a linha de montagem, em Stans, na Suíça, foi preparada para produzir 30 aeronaves por ano até 2021. Após esse período, a fabricante pode aumentar a produção para 50 unidades anuais, o que pode colocar o novo jato entre os mais vendidos do mundo no setor executivo.

Executivo com o pé na terra

Considerado um dos projetos mais complexos e ambiciosos da aviação executiva nos últimos anos, o PC-24 foi projetado para operar exatamente como um robusto turbo-hélice, mas com praticamente o dobro da velocidade. De acordo com dados da Pilatus, o novo jato voa velocidade de cruzeiro de 815 km/h, enquanto o PC-12 alcança 530 km/h.

O PC-24 tem praticamente as mesmas capacidades de passageiros e carga do PC-12 (o jato leva mais passageiros e o turbo-hélice mais carga), mas oferece a vantagem de um voo mais confortável em altitudes mais elevadas (até 45.000 pés!), enquanto o PC-12 voa abaixo da faixa dos jatos, abaixo de 30.000 pés, sem falar no maior espaço da cabine, mais alta e larga que a do turbo-hélice.

A Pilatus ainda não mostrou o PC-24 pousando na terra "de verdade" (Pilatus Aircraft)

O PC-24 pode ser configurado para transportar até 10 passageiros (Pilatus Aircraft)

Um item curioso no PC-24 e também inédito na categoria é a porta de carga, igual a do PC-12. A Pilatus oferece configurações de interior que podem ser rapidamente convertidas para transportar passageiros ou carga: o avião tem espaço para até 10 ocupantes ou 1.135 kg.

Apesar de já ter iniciado as entregas do PC-24, a Pilatus ainda não completou a certificação da aeronave. O jato ainda está passando pela fase de homologação extra para operar em pistas não-pavimentadas. As avaliações incluem pousos e decolagens em pistas de terra, grama, neve e gelo.

Toda conforto e versatilidade do PC-24, porém, tem preço: o jato da Pilatus é avaliado em cerca de US$ 8,9 milhões (R$ 34,7 milhões), enquanto o turbo-hélice PC-12 custa US$ 4,9 milhões (R$ 19,1 milhões). Qual você prefere?

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