HondaJet parte para sua primeira viagem entre continentes

HondaJet parte para sua primeira viagem entre continentes

De carros a motocicletas, produtos de força e o robô Asimo, a Honda também fábrica aviões. A empreitada, que vem sendo estudada pela marca japonesa por mais de 20 anos, resultou no HondaJet, um jato executivo de categoria VLJ (Very Light Jet), a mesma no Embraer Phenon e o Cesna Citation, que dominam esse setor.

Concluído no primeiro semestre de 2014, após os japoneses passarem quase 3 anos resolvendo problemas com as turbinas (de fabricação própria), o jatinho da Honda partirá hoje para sua primeira viagem entre continentes. O avião vai percorrer mais de 48 mil quilômetros pousando em 13 países entre Japão e Europa demonstrando suas capacidades de voo.


O HondaJet possui um design bem diferente dos concorrentes e segundo a Honda esse conceito é mais avançado e eficiente. As turbinas montadas nas asas e não em suportes na fuselagem, como nos rivais, permite ganhar mais espaço na cabine e, de acordo novamente com a marca, maior economia de combustível, que pode chegar a 40% em relação ao consumo dos rivais. Essa configuração também aumenta o espaço do compartimento de bagagem, já que a fuselagem não tem reforços estruturais na parte traseira para encaixar as turbinas.

As turbinas montadas nas asas aumentam a capacidade interna da fuselagem

As turbinas montadas nas asas aumentam a capacidade interna da fuselagem

O avião japonês tem um alcance de até 2.185 km, algo como uma viagem entre São Paulo e Recife. A velocidade de cruzeiro é de 483 km/h e é possível acelerar até 778 km/h a uma altitude de 30 mil pés (cerca de 9,1 mil metros). A fuselagem é construída com material composto de carbono e asas são feitas inteiramente com painéis de alumínio, atualmente a combinação mais avançada mais construir um jato leve (Boeing e Airbus usam a mesma técnica). Segundo o fabricante, o HondaJet pode decolar com um peso de até 4.173 kg.

Com espaço para 5 passageiros, o avião da Honda, devido ao seu design com turbinas nas asas, tem a maior cabine da categoria, com quase 3,70 metros de comprimento. Já os pilotos têm disposição uma cabine totalmente digital, com enormes telas multifuncionais que mostram todos os instrumentos. Lembra a cabine do Saab Gripen, o futuro caça da FAB.

A cabine da HondaJet possui os mais avançados sistemas aviônicos da atualidade

A cabine da HondaJet possui os mais avançados sistemas aviônicos da atualidade

Com esse tour internacional, a Honda espera atrair a atenção de compradores dispostos a desembolsar US$ 4,5 milhões pelo novo produto da empresa “faz-tudo” japonesa.


Japão volta a voar

Na década de 1930 o Japão foi um dos países que mais fabricou aviões, com projetos avançados e sobretudo mortíferos, como se mostraram nos combates que começaram na guerra sino-japonesa até o final da Segunda Guerra Mundial. Após a rendição, o país ficou proibido de produzir qualquer coisa que voasse por 11 anos e mesmo depois desse período os japoneses tiveram poucas oportunidades para voltar a voar por conta própria.

A Mitsubishi foi a empresa nipônica que mais se aventurou na aviação após o termino do embargo, construindo sob licença aviões de fabricantes ocidentais, desenvolvendo pequenas aeronaves de transporte e até um avião de combate, o F-1, que foi retirado da Força de Auto-Defesa Aérea do Japão em 2006, depois de 28 anos de serviços.

O Mitsubishi F-1 era um avião de apoio próximo e de ataque marítimo

O Mitsubishi F-1 era um avião de apoio próximo e de ataque marítimo

No entanto, nenhum projeto da Mitsubishi obteve sucesso comercial expressivo. Mas a marca não desiste, tanto que está preparando uma família de jatos de média proporção, com capacidade de 70 até 90 passageiros. Os modelos são o MRJ 70 e MRJ 90, que estão programados para voar em 2017.

O Mitsubishi MRJ 90 tem configurações semelhantes às do Embraer 190

O Mitsubishi MRJ 90 tem configurações semelhantes às do Embraer 190

Com planos ambiciosos pela frente, Honda e Mitsubishi poderão enfim colocar o Japão de volta aos ares e com um certo potencial para incomodar a Embraer e outros fabricantes de jatos executivos e modelos regionais.