O sindicato de pilotos da França apontou que a proibição pode encerrar 72 voos internos (Air France)

Um grupo de políticos na França quer proibir alguns voos domésticos para reduzir as emissões de dióxido de carbono. O projeto de lei discutido no país propõe a proibição de voos internos para rotas em que a mesma viagem pode ser feita de trem em menos de cinco horas.

“Em 2016, a França ratificou o Acordo de Paris, que visa limitar o aumento global da temperatura a 1,5 graus até 2050. Para conseguir isso, teremos que reduzir as emissões no setor de transporte, que é responsável por 30% dos gases de efeito estufa em nível nacional ”, diz o texto da emenda.


A proposta cita números do governo mostrando que o voo Paris-Marselha emite cerca de 178 kg de CO2 por passageiro, segundo fontes do setor, comparado a 4,14 kg para a mesma viagem de trem. O projeto, porém, é controverso até mesmo entre políticos franceses que apoiam causas ambientais.

O ministro francês do Meio Ambiente, François Rugy, disse à BFM TV no dia 3 de junho que a proposta “não é muito séria”, acrescentando que os trens de alta velocidade naturalmente afastaram os passageiros em voos de muitas rotas, assim qualquer proibição de voar ocorreria em rotas nas quais os serviços ferroviários ainda não são uma alternativa suficientemente rápida.

O sindicato de pilotos da França, o SPAF, emitiu uma declaração contra o projeto de lei, que se adotado, pode encerrar pelo menos 72 voos internos e chamou as medidas de “tão injustas quanto infundadas”.

No mês passado, a Air France anunciou que vai reduzir sua rede de voos domésticos em 15% até o final de 2021, em face da crescente concorrência do TGV, o “trem-bala” da França.


Rugy também afirmou que, embora a proibição de voos domésticos não aconteça, a França pelo menos pedirá um imposto sobre o combustível para aviação na próxima Comissão Europeia.

Os trens de alta velocidade em serviço na França viajam a mais de 320 km/h (Divulgação)

Ao contrário do transporte rodoviário, as companhias aéreas locais e estrangeiras na Europa não pagam um único centavo de imposto sobre o combustível que consomem nos aeroportos do continente.

Em vigor na Europa desde 1944, a taxa zero para o querosene pode ser derrubada nos próximos anos para incentivar outros modais de transporte. Um estudo da União Europeia sobre o tema mostrou que taxar o combustível pode reduzir em 11% as emissões da aviação no continente. A pesquisa ainda aponta que a medida não teria impacto na cadeia de empregos ou na economia e, ao mesmo tempo, permite arrecadar quase 27 bilhões de euros por ano. O imposto sugerido é de 0,33 euro por litro de querosene.

Em contraste, outros países no mundo, como Estados Unidos e Japão, há muitos anos cobram impostos sobre o combustível para aviação. O Brasil é outro exemplo, apesar de cobrar umas das taxas mais altas do mundo.

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