Boeing 777-300 da Alitalia: companhia terá a Delta Air Lines como sócia, assim como empresa do grupo Benetton (Adam Moreira)

Após vários meses de negociações, o governo o italiano aceitou a proposta feita pelas empresas Atlantia e Delta Air Lines para resgatar a companhia aérea Alitalia, em intervenção estatal desde 2017.

A Atlantia, que atua em concessões rodoviárias e aeroportuárias e pertence ao grupo Benetton, deve pagar 300 milhões de euros (R$ 1,267 bilhão) para ficar com 35% da companhia aérea. A Ferrovie dello Stato, estatal ferroviária que hoje controla a Alitalia, terá outros 35%, enquanto o restante será dividido pelo Ministério da Economia da Itália (15%) e a Delta Air Lines, que poderá aumentar sua participação no futuro.


A Atlantia é o maior operador de autoestradas na Itália e tem a concessão dos dois aeroportos de Roma. No entanto, a empresa havia sido questionada por conta da subsidiária Autostrade, que era responsável pela ponte que desabou em Gênova no ano passado vitimando 43 pessoas.

Na prática, a Alitalia continuará sob controle estatal nesse primeiro momento, o que é motivo de protestos pela oposição ao governo atual. Segundo a Ferrovie dello Stato, o novo consórcio começará a trabalhar o quanto antes para estabelecer um plano de recuperação que faça a companhia aérea voltar a operar no azul. Hoje a Alitalia dá um prejuízo diário 1 milhão de euros.

O primeiro A330-900neo da Delta decola na França

A Delta terá uma participação de cerca de 15% no consórcio, mas poderá ampliar esse valor (Airbus)

Piada de mau gosto

O empresário Germán Efromovich: oferta pela Alitalia foi piada de mau gosto (Cruks/Wikimedia)

Durante o período em que estudou uma solução para a Alitalia, o governo do país recebeu propostas variadas como de empresas como Lufthansa e Norwegian Air. Algumas delas propunham a divisão da empresa e a compra apenas da sua parte sadia.

No fim, o governo italiano recebeu três propostas: além da Delta e Atlantia, os outros dois interessados foram um grupo italiano e Germán Efromovich, dono da Avianca Brasil, empresa que está à beira da falência.

Ambas propostas foram recusadas, mas seria irônico que o empresário fosse nomeado “salvador” da Alitalia após levar sua companhia aérea no Brasil a acumular mais de R$ 3 bilhões de dívidas, sem falar nos inúmeros funcionários demitidos sem receber ao que têm direito.

A Alitalia voa diariamente entre Roma e o Rio de Janeiro e opera doze voos semanais entre a capital italiana e São Paulo.

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