O míssil A-Darter é concebido para o combate "ar-ar"(Divulgação)

O míssil A-Darter é concebido para o combate “ar-ar”(Divulgação)

A Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou no final de setembro que o míssil de 5° geração A-Darter concluiu a fase final de ensaios para sua certificação, o que irá torná-lo pronto para comercialização. Os testes foram realizados na África do Sul, país que desenvolve o novo armamento em parceria com o Brasil.

O A-Darter é um míssil de curto alcance para interceptação aérea (“ar-ar”) guiado por infravermelho. Ou seja, o artefato persegue o calor gerado pelo avião inimigo. Segundo a FAB, durante os testes foram realizados lançamentos contra alvos aéreos manobráveis de alta performance e capazes de lançar “flares”, sistema de contramedida semelhante a fogos de artifício para despistar o míssil “caçador”.



Ainda de acordo com a FAB, o A-Darter pode identificar, de forma autônoma, um alvo após o lançamento e também pode ignorar contramedidas, o que aumenta a chance de um abate. O míssil tem alcance entre 8 km e 12 km e capacidade para realizar manobras bruscas que o submetem a mais de 50 vezes a força da gravidade.

Uma das fases de destaque dos ensaios foi a segunda investida. Após um cruzamento frente a frente, o alvo manobrou para cima do caçador no instante em que foi efetuado o lançamento, praticamente a uma posição relativa de 90 graus entre os dois. O A-Darter curvou para cima do alvo, de maneira autônoma, para um ponto futuro, até readquirir a mira com o objetivo. Tal manobra provocou uma mudança na sua direção em aproximadamente 180 graus em relação à proa original.

A gerência do projeto no Brasil está a cargo da “Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate” (COPAC). Logo após a certificação do míssil, a unidade prevê a aquisição para a FAB de um lote inicial do armamento dentro do programa FX-2 (de aquisição de novos caças).

O A-Darter é desenvolvido pela Denel Dynamics, da África do Sul, e a SIAAT, de São José dos Campos (Divulgação)

O A-Darter é desenvolvido pela Denel Dynamics, da África do Sul, e a SIAAT, de São José dos Campos (Divulgação)

O presidente da COPAC, Brigadeiro Márcio Bruno Bonotto, afirmou que o maior ganho com o A-Darter é o desenvolvimento e o fomento à indústria nacional de defesa. “Durante esses 12 anos de parceria com a África do Sul, nós aprendemos muito com transferência de tecnologia efetiva, não somente nas soluções tecnológicas para diversos tipos de problemas, que já enfrentávamos na ocasião do desenvolvimento de outros mísseis, como também na confecção correta e objetiva de requisitos para futuros armamentos e também na forma crítica que hoje somos capazes de analisar ofertas de outros fabricantes”, diz. “Absorvemos o conhecimento das potencialidades e limitações do míssil com acesso e participação plena em seu desenvolvimento, sem ressalvas”, completa.

O novo míssil será uma das armas do caça Saab Gripen NG, que será incorporado pela FAB a partir de 2019. Ao todo, a Aeronáutica vai receber 36 aeronaves de combate até 2024. Os aviões serão fabricados na Suécia e no Brasil, pela Embraer e outras empresas nacionais, como parte do acordo de transferência de tecnologia.

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