A Argentina ainda tinha seis caças Dassault Mirage III em condições de operação, ainda que limitadas (Foto - MirageArgentina)

A Argentina ainda tinha seis caças Dassault Mirage III em condições de operação, ainda que limitadas (Foto – MirageArgentina)

A Fuerza Aérea Argentina (FAA) formalizou na última semana a aposentadoria dos caças Dassault Mirage III, aeronaves que foram utilizadas durante os combates na Guerra das Malvinas contra a Inglaterra. Os aviões de fabricação francesa foram incorporados a FAA a partir de 1972 e o país teve cerca de 20 unidades, adquiridas novas ou usadas de estoques de Israel e Peru. Dessas, apenas seis estavam em condições limitadas de operação.

Com 41 anos de serviços prestados na Argentina, os últimos Mirage III da FAA, apesar de extensos programas de modernização, estavam com sérios problemas estruturais e não possuíam equipamentos de voo modernos (aviônicos). Por conta desses problemas, as aeronaves estavam operando somente de dia em velocidades moderadas.


Com a aposentadoria do Mirage, a Argentina perdeu seu último meio de interceptação de alta velocidade – a aeronave voa a mais de 2.300 km/h. A função de defesa dos céus argentinos ficará a cargo dos jatos de ataque Douglas A-4AR e o Pampa IA-63, de fabricação local, que não alcançam nem a metade da velocidade máxima dos veteranos Mirage.

Os militares argentinos já procuram por uma aeronave para substituir os Mirage, mas devido a falta de fundos ainda não há uma data para o assunto ser definido. A FAA já fez consultas com Israel, Espanha e França, em busca de caças usados, e também conversou com o Brasil sobre a possibilidade futura de adquirir os Gripen NG produzidos pela Embraer.

De todas essas opções, a mais “quente” é o acordo com o Israel, que tem caças IAI Kfir em boas condições estocados. Outra alternativa com boas chances pode vir da China, que ofereceu aos argentinos o caça multi-funcional Chengdu J-10B.

O caça francês desenvolvido no final dos anos 1960 voa a mais de 2.300 km/h (Foto - MirageArgentina)

O caça francês desenvolvido no final dos anos 1960 voa a mais de 2.300 km/h (Foto – MirageArgentina)

“Nosso querido Mirage deixará de voar no final de novembro, e estamos à espera de um novo sistema desse nível de qualidade e com a nova tecnologia para substituí-lo”, segundo o chefe da Força Aérea Argentina Miguel Callejos, a agência MercoPress.


Mirage III nas Malvinas

Os Mirage III realizaram missões de escolta, bombardeiro e caça durante a Guerra das Malvinas conta a Inglaterra, em 1982. As aeronaves conseguiram um relativo sucesso nas operações de apoio ao solo, mas operavam no limite operacional. A pista em Port Stanley não comportava caças, por isso as aeronaves partiam da Argentina e quando chegavam às ilhas tinham apenas alguns minutos para atacar e em seguida voltar ao continente.

Durante a Guerra das Malvinas os Mirage argentinos usavam pintura camuflada (Foto - FAA)

Durante a Guerra das Malvinas os Mirage argentinos usavam pintura camuflada (Foto – FAA)

Durante os combates nas Malvinas dois Mirage III foram abatidos, um por “fogo amigo”, atingido por um míssil portátil do exército argentino que o confundiu, e outro caçado por um Harrier britânico. Nas duas ocasiões os pilotos argentinos morreram.

O principal caça argentino na Guerra das Malvinas foi o israelense IAI Dagger, justamente uma cópia “melhorada” do Mirage III. Com maior alcance e capacidade para levar mais armamentos, o caça da IAI foi o que causou mais estragos aos ingleses e também o que mais sofreu perdas: 11 aeronaves desse tipo foram abatidas pelas forças britânicas.

A Força Aérea Brasileira (FAB) também utilizou os caças Mirage III. As aeronaves foram retiradas de serviço em 2005, após quase 30 anos de serviços.

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