A330-200 da Aigle Azur: empresa francesa não tem sido transparente sobre sua situação no Brasil (Aigle Azur)

O fim do voo entre Campinas e Paris realizado pela companhia aérea Aigle Azur se transformou em dor de cabeça para muitos passageiros. A empresa tem sido pouco clara sobre sua atuação no Brasil e nas poucas vezes em que se pronunciou o fez de forma confusa e com ausência de informações.

Na semana passada, o jornal Le Figaro relatou as dificuldades financeiras por que passa a companhia que decidiu encerrar o voo entre os aeroportos de Orly e Viracopos, realizados quatro vezes por semana. Mas não houve um comunicado oficial, apenas uma promessa de que mais detalhes seriam fornecidos em breve após reconhecer que manteria o voo apenas durante a temporada do Verão no Hemisfério Norte.


Após tentar contatar a Aigle Azur na França, Airway recebeu uma mensagem que foi repassada aos agentes de viagem em que a empresa informa que os bilhetes emitidos após o dia 27 de setembro serão reembolsados. Já os passageiros que embarcarem até essa data deveriam ser acomodados em voos da TAP, diz o texto.

No entanto, nos últimos dias a companhia aérea francesa voltou a oferecer o voo para o Brasil em seu site com apenas duas frequências semanais, a última delas partindo no dia 27. A rota aparece como operada pela própria Aigle Azur com seus jatos Airbus A330-200.

Fim da parceria

A Aigle Azur decidiu encerrar o seu único voo transatlântico após o fim do code share com a Azul Linhas Aéreas, que fornecia possibilidade de conexões para diversas cidades no Brasil. O encerramento da parceria foi comunicado ainda em abril, mas apesar disso a companhia francesa não deu mostras de que poderia desistir do destino.

Questionada sobre o fim do voo da ex-parceira, a Azul respondeu que “neste momento, não deve assumir a rota”. A companhia francesa tem como um de seus sócios David Neeleman, fundador da empresa brasileira.

Com o fim do voo, Viracopos volta a ter apenas a Azul como operadora de voos internacionais. Em relatos na internet, passageiros da Aigle Azur lamentaram a suspensão. Para alguns clientes, a companhia francesa oferecia um voo prático em um aeroporto de fácil acesso à Paris além de um serviço elogiado pelo seu atendimento e simpatia.

A Aigle Azur nega que sua situação seja crítica. A companhia reduziu frequências e concentrou sua malha em voos na Europa além de um único destino na África, a capital do Mali.

O que fazer em caso de bilhete comprado na Aigle Azur

Segundo a ANAC, a Agência Nacional de Aviação Civil, “os passageiros com bilhetes comprados cujo o voo não será realizado, de acordo com a Resolução nº 400 da ANAC, a companhia aérea precisa fornecer as seguintes alternativas aos passageiros afetados:

(I) reembolso integral do valor pago pela passagem;

(II) reacomodação em outros voos da própria companhia ou de outra empresa que ofereça serviço equivalente para o mesmo destino, na primeira oportunidade;

(III) execução do serviço por outra modalidade de transporte;

(IV) reacomodação em voo da própria empresa aérea em outra data que seja da conveniência do passageiro.

Ressalta-se que, em caso de problemas, o passageiro afetado pela interrupção do voo deverá entrar em contato com a empresa com a qual o contrato foi estabelecido, tendo em vista que as duas empresas efetuaram a venda do bilhete, embora o serviço (voo) fosse prestado apenas pela Aigle Azur.

Se as tentativas de solução do problema pela empresa não apresentarem resultado, o usuário poderá registrar sua reclamação por meio do site www.consumidor.gov.br. Pela ferramenta o consumidor pode se comunicar diretamente com as empresas, que têm o compromisso de receber, analisar e responder as reclamações em até 10 dias. As manifestações apresentadas nessa plataforma são monitoradas pela Agência, que acompanha a qualidade das soluções apresentadas.

Veja mais: Azul terá exclusividade no Santos Dumont em sua estreia na ponte aérea