O míssil de longo alcance projetado pela FAB será uma evolução do MTC-300, desenvolvido Avibras (Divulgação)

Em audiência pública realizada nesta terça-feira (24) em Brasília, na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, com o tema “Pressupostos da Soberania Nacional”, o comando da Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou que está desenvolvendo um míssil de cruzeiro de longo alcance, o MICLA-BR (Míssil de Cruzeiro de Longo Alcance).

O projeto prevê a produção de um míssil com alcance de 300 km para ser lançado a partir de aviões e plataformas de superfície. O artefato com motor a reação e orientado por GPS, infravermelho e radar será uma evolução do sistema MTC-300, atualmente em fase desenvolvimento pelo Exército Brasileiro e a Avibras.


“É um projeto que vai equalizar o Brasil em termos de capacidade militar com vários países do mundo em termos de defesa aérea”, disse o Major-Brigadeiro do Ar Sergio Roberto de Almeida. “É um míssil ar-ar (de interceptação aérea) com 300 km de alcance, de fabricação nacional, aproveitando um projeto já em desenvolvimento pelo Exército Brasileiro a ser utilizado por aeronaves, que nos dá uma capacidade de ataque considerável.”

Atualmente, somente 14 países no mundo detém o conhecimento para produzir mísseis de longo alcance. São eles: Estados Unidos, Rússia, China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Reino Unido, França, Itália, Suécia, Noruega, Israel, Irã e Paquistão.

Projetos estratégicos

O MICLA-BR é um dos 18 projetos estratégicos apresentados no plano “Visão Força Aérea 100” da Aeronáutica e que devem ser concluídos até 2041, ano em que será celebrado o centenário da FAB.


A lista, disponível no site da FAB, inclui projetos que já estão em andamento, como o FX-2 (desenvolvimento e aquisição dos caças Gripen E), KC-X (Embraer KC-390) e o E-99M (versão modernizada do “avião-radar” EMB-145 AEW&C), além de adequações na Ala 2 (base aérea de Anápolis) e no Centro Espacial de Alcântara.

A aquisição dos caças Gripen E é uma das propostas apresentadas no plano Força Aérea 100 (SAAB)

O plano da FAB também cita propostas que podem colocar o Brasil entre as maiores nações desenvolvedoras de tecnologias aeroespaciais avançadas. É o caso dos projetos PROPHIPER, um demonstrador tecnológico de aeronave com propulsão hipersônica, e o VLM (Veículo Lançador de Microssatélites), um foguete destinado ao lançamento de microssatélites (até 150 kg) em órbitas equatoriais e polares.

Outro projeto que chama atenção é o ARP-REC (Aeronave Remotamente Pilotada para Reconhecimento Aéreo). Como explica a Aeronáutica, essa aeronave de produção nacional deverá ser capaz de operar em grandes altitudes controlada via satélite, possuindo uma ampla área de atuação e aplicação.

“É um projeto (o ARP-REC) ainda em desenvolvimento inicial e ele busca atender as demandas operacionais de todas as forças para atingir o domínio de tecnologias sensíveis e principalmente para capacitar a indústria de defesa do Brasil”, explicou o Major-Brigadeiro da FAB durante a audiência pública em Brasília.

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