O USS Lexington (CV-2) foi o primeiro porta-aviões americano afundado (Domínio Público)

Um dos mais famosos episódios da Segunda Guerra no teatro do Oceano Pacífico ganhou mais um capítulo nesta semana quando uma expedição financiada por Paul Allen, co-fundador da Microsoft, encontrou os destroços do USS Lexington (CV-2), porta-aviões americano que afundou em 8 de maio de 1942. Ele (ou ela, já que seu apelido era Lady Lex para integrantes da marinha dos EUA) havia acabado de participar da monumental Batalha do Mar de Coral entre japoneses e americanos onde cinco porta-aviões se enfrentaram por quatro dias.

Ao fim da batalha, um porta-aviões japonês (e menor deles), o Shoho, afundou enquanto o Shokaku foi seriamente atingido. Do lado americano, o Yorktown resistiu porém o Lexington se incendiou após ser atingido por torpedos e bombas. Para abreviar seu fim, o destróier USS Phelps lançou um torpedo que afundou a embarcação. Da tripulação, 2.770 foram resgatados enquanto 216 pereceram.



A missão bancada por Allen enviou o navio R/V Petrel para tentar localizar o paradeiro do porta-aviões de 13 mil toneladas e que havia sido comissionado em 1927. No ano passado, esse mesma embarcação havia encontrado o USS Indianapolis, um encouraçado que foi afundado por um submarino japonês quase no final da guerra, no Mar das Filipinas.

“O Lexington estava na nossa lista de prioridades por ser um dos mais importantes navios que foram perdidos durante a Segunda Guerra Mundial”, disse Robert Kraft, diretor de operações submarinas da Allen. “Com base na geografia, época do ano e outros fatores, trabalhei com Paul Allen para determinar quais as missões a serem realizadas. Nós planejamos a missão de encontrar o Lexington por cerca de seis meses e ela se mostrou bem sucedida”, completou. Para Allen, foi uma forma de “prestar homenagem ao USS Lexington e os valentes marinheiros que serviram nela”.

Caça Grumman F4F Wildcat com várias vitórias anotadas na fuselagem (Paul Allen)

Ex-navio de batalha

Segundo porta-aviões americano a ser construído (antes dele a marinha operou o USS Langley, que possuía um convés adaptado), o Lexington foi lançado ao mar em 1925. Apesar das características muito semelhantes as de futuros navios-aerodrómos, o CV-2 havia nascido originalmente como um navio de batalha. Sua construção começou assim até que o Tratado de Washington, em 1922, proibiu a construção de novos encouraçados. Ele estava a caminho das ilhas Midway quando o Japão atacou Pearl Harbor em dezembro de 1941. A missão foi suspensa e o navio seguiu para o Hawaí. No ano seguinte, ele e o porta-aviões Yorktown, maior e mais moderno, partiram para missões no Pacífico que culminaram com a batalha do Mar de Coral.

O navio foi encontrado a uma profundidade de 3 mil metros e numa posição distante cerca de 800 km da costa leste da Austrália. As primeiras imagens do submarino que localizou os destroços mostram alguns dos 35 aviões que afundaram com o porta-aviões como os bombardeiros SBD Dauntless e TBD-1 Devastator e o caça F4F Wildcat.

A batalha do Mar de Coral, apesar das pesadas baixas, marcou o primeiro revés para as forças imperiais japonesas que até então dominavam as ações no Pacífico. Foi a primeira vez também que uma batalha envolveu porta-aviões, que começavam a deixar o papel de coadjuvantes perante os imensos navios de batalha. Ao contrário desses, o teatro de guerra deixava de ter encontros visuais entre os navios envolvidos para se concentrar nas ações das aeronaves.

Embora tenham saído razoavelmente melhores no confronto, os japoneses acabariam sofrendo uma pesada derrota um mês depois na Batalha de Midway quando perderam quatro porta-aviões e quase 250 aviões, entre outros alvos. Não é por menos que até hoje a marinha americana tem em seus gigantescos porta-aviões nucleares a base de sua estratégia global.

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