Asmelash Zerefu construiu seu avião com materiais descartados e um motor de Fusca (Facebook)

Asmelash Zerefu construiu seu avião com materiais descartados e um motor de Fusca (Facebook)

Asmelash Zerefu se considera um “construtor amador” de aviões. Aos 35 anos, o etíope inclusive já desenvolveu seu primeiro protótipo, o K-570A, construído com materiais descartados por menos de R$ 3.000. O avião de Zerefu, no entanto, ainda não voou. Na primeira tentativa o modelo apenas correu por uma pista de terra e não decolou.

A aeronave tem estrutura de madeira e fuselagem de plástico e fibra de vidro. Já o motor é de Volkswagen Fusca, de 40 hp. Tudo foi feito de forma artesanal pelo próprio construtor, que estuda há mais de 15 anos manuais de manutenção e livros sobre aeronaves. No entanto, como revelou ao diário britânico Telegrafh, a maior parte de seu conhecimento para desenvolver o avião veio de vídeos com instruções publicados no Youtube.


O nome do avião, K-570ª, que um dia pode se tornar o primeiro desenvolvido na África, tem um significado interessante: “K” é a primeira letra da mãe de Zerefu, Kiros, enquanto “570” é o número de dias empreendidos na construção da aeronave e “A” de avião.

A história do avião de Zerefu ficou famosa na Etiópia e logo ganhou notoriedade mundial. Mesmo com o fracasso do primeiro teste com o K-570A, para o construtor africano a perspectiva são de voos longos. Com a divulgação de seu trabalho, a universidade de Inholland, na Holanda, ofereceu uma bolsa ao africano para cursar engenharia aeronáutica.

O projeto amador rendeu ao construtor uma bolsa para cursar engenharia da Holanda (Facebook)

O projeto amador rendeu ao construtor uma bolsa para cursar engenharia da Holanda (Facebook)

Zerefu, apesar de todo interesse, nunca andou de avião. O primeiro exemplar no qual pisou foi o que mesmo construiu, apesar de tecnicamente ele ainda não voar. Em entrevista ao noticiário britânico, o etíope contou que sua paixão pela aviação nasceu em 2001 e desde então vem trabalhando para ingressar no meio de alguma forma.

Há 15 anos, Zerefu foi aprovado com nota alta na prova para ingressar na academia de aviação da Ethiopian Airlines, mas acabou reprovado no exame físico. “Não alcancei a altura exigida nos requerimentos. Eu era apenas um centímetro mais baixo”, contou. Com o sonho de se tornar piloto comercial interrompido, o africano partiu para o projeto de seu próprio avião.

“Quero voar a 10 metros do solo. Fazendo isso, serei a primeira pessoa na África que construiu um avião capaz de voar pelo céu. Gostaria de aparecer na mídia internacional para promover a África em termos de ciência e tecnologia”, declarou o construtor.

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