A Ethiopian voa todos os dias entre São Paulo e Adis Abeba de Boeing 777 (BriYYZ/Wikimedia)

Ainda não existe um avião comercial com alcance o suficiente para voar do Brasil até a Ásia. Para isso, primeiro é necessário voar até o “meio” do mundo para em seguida trocar de aeronave (ou esperar pelo reabastecimento) e seguir viagem até o destino final, do outro lado do planeta. Essa longa jornada é atualmente um dos negócios mais promissores da companhia Ethiopian Airlines, que fez de seu hub em Addis Abeba, capital da Etiópia, um dos principais pontos de conexões aéreas do mercado mundial, sobretudo para passageiros brasileiros.

A companhia, hoje considerada a maior desse setor na África, completa neste mês cinco anos de presença no mercado brasileiro com números expressivos: nesse período a Ethiopian transportou mais de 300 mil passageiros, sendo grande parte deles com destino a países na Ásia. Após um início intermitente, que ainda contava com um voo para o Rio de Janeiro (descontinuado em 2014), a empresa iniciou neste ano voos diários entre São Paulo e a capital etíope.



“Nosso crescimento no mercado brasileiro foi mais rápido do que esperávamos”, disse Raphel de Lucca, gerente de vendas da Ethiopian Airlines no Brasil. “Começamos nossa operação no Brasil em 2013 com três voos por semana. Esse voo ainda incluia uma parada em Lomé, no Togo. Posteriormente ampliamos a frequência para quatro voos semanais e em seguida para cinco. Hoje voamos para o Brasil todos os dias em voos diretos e com uma aeronave maior, o Boeing 777, e também abrimos uma nova rota para Buenos Aires”.

Para o gerente da Ethiopian, a posição de Addis Abeba é fundamental para o sucesso da companhia. “O hub da Ethiopian, no leste da África, é uma posição estratégica para se chegar a outras partes do planeta. Estamos a uma distância de aproximadamente 11 horas de voo das regiões mais povoadas do mundo”, explicou de Lucca.

Além do hub em posição estratégica, a Ethiopian também é a empresa que oferece os bilhetes com preços mais competitivos no Brasil para quem deseja chegar ao outro lado do mundo. Segundo o gerente de vendas na companhia, os destinos mais procurados pelos brasileiros são, pela ordem, China, Tailândia, Japão e Índia.

“Outro destino da Ethiopian muito procurado por brasileiros é Dubai, que fica a apenas 4 horas de distância de voo de Adis Abeba”, revelou de Lucca. Dependendo da data em que as passagens são compradas, o voo da Ethiopian para Dubai pode custar quase a metade que o vendido pela Emirates Airline, que realiza a rota em voos diretos com o gigante Airbus A380.

A Ethiopian Airlines foi pioneira em trazer o 787 para o Brasil (byeangel)

O gerente da companhia ainda afirmou que a saída de outras empresas aéreas do mercado brasileiro foi benéfico para a Ethiopian, que desde sua estreia no país viu as companhias Singapore Airlines, Korean Air e Etihad Airways deixarem o Brasil. Aproveitando esse movimento e com o aumento de frequências de voos, o faturamento da empresa africana na região cresceu mais de 300% desde 2013.

“Muitas pessoas aqui no Brasil nem imaginam isso, mas a Etiópia é um dos países com maiores presenças diplomáticas no mundo. Isso vem despertando o interesse de clientes corporativos, tanto no mercado brasileiro como para quem vem do caminho oposto. Esses clientes ainda podem aproveitar nossos acordos de code-share com empresas brasileiras”, contou o gerente da Ethiopian, que tem parcerias com a Avianca, Azul e Gol.

Aeronaves tinindo e plano ambicioso

A Ethiopian Airlines tem em sua frota 101 aeronaves, sendo a maioria delas com menos de cinco anos de idade, incluindo os que são considerados os jatos comerciais mais avançados da atualidade, o Airbus A350 e o Boeing 787 Dreamliner – e companhia etíope foi a primeira a operar regularmente no Brasil com o 787, em 2013.

A empresa africana também vem realizando um plano de expansão, que ela chama de “Visão 2025”, que pode triplicar seu desempenho até 2025, quando planeja ter 140 aeronaves em serviço e transportar 22 milhões de passageiros por ano – a empresa transportou 8,8 milhões de passageiros -, entre outras metas.

A Ethiopian iniciou suas operações com o A350 a partir de 2016 (Airbus)

A Ethiopian iniciou suas operações com o A350 a partir de 2016 (Airbus)

Asas da África

A Ethiopian Airlines é hoje a companhia aérea que mais cresce no continente africano em movimento de passageiros e ampliação de frota e destinos. Desde 2016, a empresa é a maior da África, posição que antes era ocupada pela South Africa Airways, da África do Sul

Com 100% de controle estatal, a Ethiopian foi fundada em 1946 e seu voo de estreia ligava Adis Abeba com Cairo, no Egito, rota que era realizado com o clássico bimotor Douglas DC-3. Outros feitos pioneiros da companhia no continente foram o primeiro voo entre o leste e oeste da África, iniciado em 1960, e o primeiro serviço com jatos comerciais da região, em 1962.

Hoje o foco da Ethiopian é concentrado em voos internacionais, com mais de 100 destinos a partir de Adis Abeba. A empresa ainda atende outros 44 destinos com aviões cargueiros e tem 20 voos domésticos pela Etiópia.

“A Etiópia é o berço da humanidade e oferece muitas atratividades para os viajantes que procuram por cultura, história, natureza e gastronomia. Com a história construída até o momento, estamos orgulhosos das conquistas feitas no mercado brasileiro e ambiciosos em relação aos projetos futuros de expansão a fim de facilitar ainda mais os destinos mais procurados pelos brasileiros e também a chegada de mais turistas no próprio hub da companhia, Addis Abeba, e arredores”, afirma Girum Abebe, diretor geral da Ethiopian Airlines no Brasil.

A Ethiopian Airlines é uma das cinco companhias aéreas da África que operam no Brasil. As outras são a South Africa Airways, Royal Air Maroc, do Marrocos, a TACV, de Cabo Verde, e a TAAG, de Angola.

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