Boeing 747-400 da United: fim de linha (Divulgação)

Na próxima terça-feira, 07 de novembro, uma carreira de 47 anos, nove meses  e 16 dias pode chegar ao fim: o Boeing 747 deixará de voar por companhias aéreas dos Estados Unidos em rotas regulares de passageiros. Nesse dia, a United Airlines fará um voo especial entre San Francisco e Honolulu, no Havaí, numa recriação da rota em que o avião estreou para marcar a despedida da “rainha dos céus”, como é conhecido o jato no país.

A companhia estreante do 747 no mundo foi a também americana Pan Am em 22 de janeiro de 1970. Mas a United não ficou muito atrás da extinta empresa aérea, que completaria 90 anos neste mês: seu primeiro voo comercial com o Jumbo ocorreu em 23 de julho do mesmo ano mas numa rota nacional. Apesar disso, o 747 deixou de ser popular nos Estados Unidos com o passar dos anos – várias companhias aéreas acabaram desistindo do imenso avião como a American Airlines que preferiu aviões menores e mais adequados para rotas de demanda mediana.


Com isso, apenas duas empresas mantinham o quadrirreator em suas frotas em 2017: além da United, apenas a Delta mantém alguns aviões em sua frota. Após o dia 7 de novembro, o 747 seguirá voando nos céus americanos, porém, nas cores de companhias estrangeiras ou, então, como cargueiro.

Duas carreiras

Apesar de oferecer o voo entre San Francisco e o Havaí, a United encerrou a carreira internacional do 747 neste fim de semana com um voo entre Seul (Coreia do Sul) e San Francisco. O 747-400 com capacidade para 374 passageiros será substituído pelo Boeing 787-9 na rota, mas o principal substituto do quadrirreator será mesmo o versátil 777 cuja encomenda mais recente da empresa será entregue até o final do ano.

Na Delta, o sucessor do 747 chama-se A350. O jato avançado da Airbus, inclusive, estreou seu primeiro voo nesta terça-feira (30) ligando Tóquio a Detroit. É o início do fim do Jumbo na empresa, que já realizou alguns voos de despedida. Porém, ela mantém algumas unidades disponíveis até o final de 2017 para situações imprevistas como ocorreu recentemente quando dois aviões foram enviados para Orlando para ajudar na evacuação da cidade por conta de um furacão.

A companhia sediada em Atlanta faz a segunda “aposentadoria” do Jumbo: em 1977, os primeiros 747-100 comprados por ela foram vendidos porque a empresa os achou muito grandes para suas rotas, preferindo o menor Lockheed L-1011 Tristar. Somente em 2009 o 747 voltou à Delta, quando a empresa absorveu a concorrente Northwest e herdou suas duas dezenas de 747-400.

A comoção em torno do fim de carreira do 747 nos Estados Unidos tem motivado várias pessoas a reservar lugar nesses voos derradeiros. Além de guardarem lembranças desses últimos voos, sobretudo no “upper-deck”, o segundo andar do jato da Boeing, fãs poderão adquirir peças do Jumbo. Itens como janelas, assentos e até aviônicos e superfícies móveis estarão disponíveis para os passageiros membros do MileagePlus, o programa de milhagem da companhia. Um assento duplo, por exemplo, custa cerca de 275 mil milhas. O valor arrecadado será revertido para estudantes do ensino médio. Uma grata lembrança de um ícone da aviação mundial.

Airbus A350-900 da Delta: ele é um dos sucessores do 747 na empresa (Airbus)

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